
31.5.08
Dicas Marotas

28.5.08
Liberdade
De fato, conforme já salientado na citação que abre este post, a internet alterou completamente a forma de consumo de música na virada do século XX para o XXI: o CD foi enterrado, hypes passaram a ser criados (e destruídos) do dia para noite e o acesso a quaisquer artistas se tornou fácil e rápido, o que foi especialmente interessante para os pobres cidadãos do terceiro mundo.
Neste sentido, interessantíssimo o movimento Rock the Net, que busca uma chamada "neutralidade" na rede. Isso quer dizer que qualquer pessoa com acesso à internet deve ter direito a acessar, diretamente, o conteúdo legal disponibilizado pelos artistas, sem qualquer tipo de "intermediário".
Hoje em dia não é assim? Sim, é. Tanto o BIFEcomXUXU quanto o site oficial do U2 têm em tese, a mesma acessibilidade. Mas a organização citada afirma que certos provedores querem alterar essa igualdade, fazendo com que quem possa pagar mais tenham conexões melhores de internet. E iria então, pelo ralo, um dos pontos que possibilitariam uma maior competição entre os artistas independentes e aqueles do mainstream.
O cerne na questão está, portanto, em evitar que as grandes gravadoras reconquistem parte do poder perdido pela internet após o aumento de competitividade diante dos independentes. Quem perde? Nós, claro.
Mas, vale notar uma ressalva interessante no projeto: ele deixa claro que o acesso à conteúdo legal deve ser igualitário. Ora, um excesso de "liberdade" na obtenção de música, especialmente por meios ilícitos, tende a empobrecer a indústria, diminuir o investimento e, quem perde? Nós, claro.
Tudo isso serve para mostrar claramente que, com a internet, o consumidor de música passou a ter um enorme poder de decidir. Resta saber se ele sabe lidar com isso...
26.5.08
Cumpadre Washington: O Timbaland tupiniquim?
O rock nacional está no limbo. E não é de hoje. O fervor criativo e a extrema popularidade vividos nas décadas de 80 e 90 submergiram a uma infeliz sobrevivência meramente mercadológica. O BRock existe apenas porque tem que existir como nicho de mercado e não pertence mais ao grande público. E tudo isso por incompetência dos chefões em alavancar e sustentar o sucesso das bandas desorientadas e mal exploradas que existem por aqui.
Há alguns anos o cenário das grandes bandas divide-se basicamente em duas vertentes-referência: Charlie Brown Jr. e CPM22.
A banda de Chorão é a última a existir naqueles vultuosos padrões antigos, de banda-elefante, com clipes caríssimos, mega-shows e esquema de marketing extremamente profissional. Rebentos: Tihuana, O Surto, Detonautas e o recente Strike. Todos de sucesso efêmero e fadados ao esquecimento. Vide a constrangedora nova música de trabalho de Tico Santa Cruz.
De outro lado, o movimento “sou emo, mas não sou” de Badauí e companhia. Bem articulado e especialmente antenado com as modinhas internacionais. Ainda abocanha uma fatia importante do mercado, graças principalmente ao sucesso do nosso “Polegar” indie, o NX Zero. Mas o próprio CPM22 já mostra desgaste e outras apostas, como Fresno, For Fun e Hateen, não passaram de one hit wonders.
Nosso último sopro lírico, Los Hermanos (a terceira via), teve morte prematura e deixou saudade apenas aos fervorosos fãs. O grande público nem imagina que eles tenham discos além “daquele que tem Ana Júlia”.
E o porquê disso tudo? Culpa das bandas? Claro que não! Não há como obrigar alguém a fazer um som que cative e existem MUITAS bandas sub-aproveitadas fazendo música boa por aí. E o público? Também não. Por mais desqualificada que seja a nossa massa de consumidores, há um limite de (in)tolerância.
O sucesso se faz basicamente com a união de grandes melodias com esquemas certeiros e agressivos de propaganda e marketing (bem sabem os ingleses). E essa última parcela da adição nossos empresários e produtores do rock ainda não aprenderam a decifrar. Lá fora trouxeram produtores de rap para enlatar as bandas e botá-las de volta nas paradas. Talvez nossa solução esteja nos empresários e produtores de axé music.
25.5.08
Comentários
22.5.08
Dicas Marotas

WEEZER - RED ALBUM DOWNLOAD
21.5.08
Listas
A crítica, na minha opinião, acaba atingindo um típico mal contemporâneo: a vontade (ou até necessidade) de tentar abarcar o máximo possível de cultura de forma ordenada. E aí surge uma instituição famosíssima na música pop: as listas de melhores discos, canções, compositores etc.
E, numa de minhas perambulações pela internet, encontrei o site Lists of Bests, que organiza diversas listas e, pasmem, calcula quão perto você está de completá-las. Descobri, por exemplo, que cumpri 39% da lista de melhores filmes da Time Magazine, e apenas 11% dos livros essenciais segundo jornal Guardian.
Para mim, este site simboliza bem esta necessidade que muitos temos de consumir o máximo possível de cultura, especialmente os “essenciais” de cada gênero artístico. Mas fato é, e isso é apontado no livro de Pierre Bayard, que acabamos perdendo muita coisa no caminho: esquecemos livros inteiros, quadros, discos etc. Sobram apenas fragmentos, ou mesmo meras sensações e opiniões sobre a obra.
Então, o essencial é o processo, não? Ou seja, aquele “impacto” que a canção causa, o prazer de ouvi-la. Ou mesmo aquela insistência em “entender” um disco mais difícil, que depois de algumas ouvidas se torna espetacular.
Concluo, portanto, que as listas são úteis e tal, e que vale a pena descobrir os “discos essenciais”. Mas sem esquecer do principal: gostar de ouvi-los.

19.5.08
Amy & Doherty
A fama pira a cabeça das pessoas ou esse tipo de pessoa pira de vez com a fama (ou a falta dela)?
Vídeo mostra Amy Winehouse e Pete Doherty fumando crack
16.5.08
Dicas Marotas

Esqueçam o rock alternativo um pouco e voltem para as raízes. "I'm Lonesome Fugitive" é um disco de country lançado em 1967 por Merle Haggard, que traz todos os clichês do gênero: canções sobre prisão, solitários errantes, bebedeiras etc. Imperdível para quem gosta de Johnny Cash, Bob Dylan e companhia.

14.5.08
Elogio à intolerância
Um primeiro exemplo já foi dado pelo Gaiotto na coluna passada, que é o da tolerância aos "grandes ícones" da música.
Outra classe comum é o que eu chamo de "tolerantes com os queridinhos da Pitchfork", que, para quem não sabe, é aquele ótimo site norte-americano que revolucionou a crítica musical na internet. Mas, alguém realmente gosta "Bros" do Panda Bear, escolhida por eles a terceira melhor canção de 2007, só para ficar em um exemplo?
Por fim, destaco os tolerantes com o rock alternativo brasileiro. É aquele pessoal que ouve e gosta de uma banda só porque ela é, hmm, brasileira! Pouco importa se ela é uma porcaria, se em 15 minutos na internet você arruma uma gringa melhor ou se elas nunca seriam chamadas para tocar em bar nenhum na Inglaterra. Pois, para mim, banda boa, em qualquer parte do mundo, tem que competir, justamente, com o resto do mundo.
Por isso, convoco todos à intolerância e ao ódio às porcarias!
12.5.08
Os intocáveis

Bob Dylan – O mito da nova juventude intelectualizada brasileira. Ele não era tão adorado assim nem na época dos seus pais, mas estamos no Brasil, né meo. Até quando fez música chata de igreja foi considerado gênio. E uma dica: renegue os discos mais famosos e os clássicos que foram gravados por outras bandas. Nunca fale que você gosta de "Knockin´ on Heaven´s Door". Nem que "All Along The Watchtower" é melhor com o Hendrix. Você será linchado.
Beatles – Se for fazer uma lista de melhores discos de todos os tempos, coloque pelos menos 5 deles entre os dez primeiros. Mesmo que você tenha 13 anos e nunca tenha escutado algo além de Yesterday e Twist and Shout tocados por seu tio em um churrasco. Fale que não há banda que entenda mais de harmonia, melodia e experimentação musical, mesmo que não saiba de cabeça todas as notas musicais. Acha o "Álbum Branco" meio chato e repetitivo? NUNCA repita isso.
Radiohead – Desista de achar algum disco deles chato. Isso nunca vai acontecer. Se não gostar, guarde esse sentimento ignóbil. A dupla "Kid A" e "Amnesiac" são marcos do pós-rock. Mas... O que é pós-rock? Sim, você deve ter um déficit de cultura musical muito grande para não entender este termo e esses discos. Não se preocupe, apenas repita comigo: tudo o que eles lançarem de hoje em diante é genial (e pós-rock).
Chico Buarque – Se quiser fazer amigos pseudo-intelectuais, nunca fale mal dele. Principalmente em algum centro acadêmico de universidade pública. Isso pode ser fatal. Foi criticado apenas uma vez na vida, por homens casados e não integrantes de "movimentos de esquerda", ao ser pego bolinando a mulher do próximo em uma praia carioca. Só. Não é permitido falar nem que ele canta mal. Há sempre uma desculpa pronta para rebater essa crítica. "Mas, ele colocou uma música na novela das oito, apesar de jurar a vida inteira que isso seria como mandar a filha pra zona!". Cante "Metamorfose Ambulante" pra quem disser isso e diga que o grande artista é aquele que se reinventa a cada momento, ou não.