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16.8.09

Diquitas: St. Vincent, Dark Night of the Soul, Radiohead

Actor Out of Work (St. Vincent): Actor é o novo disco da St. Vincent, nome que a cantora e multi-instrumentista Anne Clark (que fazia parte da banda do Sufjan Stevens) usa em sua carreira solo. É um disco de harmonias ricas que, apesar de soar esquisito na primeira audição, tem um belo charme pop. E o primeiro single, "Actor Out of Work", é fantástico.



Little Girls (Dark Night of the Soul): projeto de Danger Mouse (do Gnarls Barkley) com o Sparklehorse, banda do atormentado Mark Linkous, que conta com a participação de vários artistas: Flaming Lips, Iggy Pop, Black Francis, Nina Persson, David Lynch, entre outros. Por conta de problemas legais o disco não foi lançado e ao comprá-lo você recebe um livro ou poster e um CD-R. Uma das melhores canções é essa "Little Girl", que conta com os vocais de Julian Casablancas sobre uma repetitiva batida, guitarrinhas suaves e uma linha de baixo fenomenal.




These Are My Twisted Words (Radiohead)
: suposta nova canção que apareceu um fórum de discussão. A banda ainda não confirmou a autoria, mas é bem provável que essa longa e etérea canção, com guitarras que soam como "Astronomy Domine" do Pink Floyd, seja mesmo do quinteto de Oxford.

8.4.09

Keep on rockin'? (ii)

Li por aí que o Green Day vai lançar um novo disco. Pelo título do single, Know Your Enemy, podemos esperar mais da ladainha política destilada no último disco, American Idiot.
Bom, já dei minha opinião por aqui e acho que, no mundo pós-Bush, esse discurso já perdeu muita força. Afinal, quem é o inimigo agora que um negro democrata foi eleito para a presidência dos EUA, a preocupação ambiental é crescente, os programas de combate à pobreza estão sempre na ordem do dia etc?
Isso não significa que canções políticas não tenham mais lugar. A questão é que esse formato sessentista e gasto não me parece o mais contestador. E aí que uma outra banda política acaba se sobressaindo: o Radiohead.
E olha que o discurso deles tinha tudo para dar errado. Os integrantes da banda são politicamente corretos, não parecem ter lá um senso de humor muito aguçado, abraçam qualquer causa humanitária e já se inspiraram na doidivanas Naomi Klein, jornalista porta-voz dos movimentos anti-globalização.
Contudo, ao invés de adotar um discurso explícito, o Radiohead prefere canções fragmentadas e letras pouco explícitas. Sabemos, por exemplo, que 2+2=5, do Hail to the Thief (2004), é sobre George Bush. Mas pode ser sobre outro assunto, e poderá se aplicar a outras situações no futuro. Foi o que Bob Dylan fez nos anos 60, e suas canções envelheceram melhor que aquelas que criticavam explicitamente os fatos de sua época.
Além disso, é justamente por conta dessa fragmentariedade, que muitas vezes conduz a som desconfortável, que as canções do Radiohead soam contemporâneas. Talvez eles concordem com Maiakovski que, "sem forma revolucionária, não há arte revolucionária"...

23.3.09

Entrevista Radiohead Multishow

Para quem não viu na TV, uma rara e bacaníssima entrevista com um falante Thom Yorke e o Ed O´Brien, antes do show de ontem em São Paulo. Todos os louros pro Edgar Piccoli, que também conseguiu tirar uma entrevista divertida do Los Hermanos (o que considero mais difícil ainda).




Entrevista Radiohead Multishow

26.6.08

Dicas marotas

Segue um post com algumas dicas musicais de discos lançados neste ano... Divirtam-se!


Isobel Campbell & Mark Lanegan - Sunday at Devil Dirty: a ex-Belle & Sebastian e o ex-Screaming Trees retomam a parceria de 2005 para outro álbum de clima retrô que flerta com o folk e o country. Destaque para a balada quase sexual "Come Over Me (Turn Me On)"...


Bonnie "Prince" Billy - Lie Down in the Light: o mais novo disco deste compositor norte-americano, idolatrado no mundo independente, retorna com mais aquilo do que estão chamando de "folk lo-fi". Imperdível para quem gosta de boas harmonias acústicas.


Amplive - Rainyday Remixes: grupo de produtores que remixou de forma muito interessante várias canções do último disco do Radiohead, In Rainbows, e liberou o trabalho gratuitamente na internet. Uma mostra do que ocorre quando o hip-hop encontra o rock alternativo.

12.5.08

Os intocáveis


Inexplicavelmente alguns artistas são imunes a críticas negativas. E, convenhamos, isso é muito chato e extremamente contraproducente. Discos patéticos, atitudes constrangedoras e discursos contraditórios. Nada disso é suficiente para que lhes lancem um tomatinho que seja. Em alguns casos parece que o próprio artista se joga numa furada pra testar e comprovar essa imunidade, ou até pra dar uma zoada nos críticos e fãs (o que é fantástico). Eis aqui meu TOP 4 dos artistas intocáveis:


Bob Dylan – O mito da nova juventude intelectualizada brasileira. Ele não era tão adorado assim nem na época dos seus pais, mas estamos no Brasil, né meo. Até quando fez música chata de igreja foi considerado gênio. E uma dica: renegue os discos mais famosos e os clássicos que foram gravados por outras bandas. Nunca fale que você gosta de "Knockin´ on Heaven´s Door". Nem que "All Along The Watchtower" é melhor com o Hendrix. Você será linchado.


Beatles – Se for fazer uma lista de melhores discos de todos os tempos, coloque pelos menos 5 deles entre os dez primeiros. Mesmo que você tenha 13 anos e nunca tenha escutado algo além de Yesterday e Twist and Shout tocados por seu tio em um churrasco. Fale que não há banda que entenda mais de harmonia, melodia e experimentação musical, mesmo que não saiba de cabeça todas as notas musicais. Acha o "Álbum Branco" meio chato e repetitivo? NUNCA repita isso.


Radiohead – Desista de achar algum disco deles chato. Isso nunca vai acontecer. Se não gostar, guarde esse sentimento ignóbil. A dupla "Kid A" e "Amnesiac" são marcos do pós-rock. Mas... O que é pós-rock? Sim, você deve ter um déficit de cultura musical muito grande para não entender este termo e esses discos. Não se preocupe, apenas repita comigo: tudo o que eles lançarem de hoje em diante é genial (e pós-rock).


Chico Buarque – Se quiser fazer amigos pseudo-intelectuais, nunca fale mal dele. Principalmente em algum centro acadêmico de universidade pública. Isso pode ser fatal. Foi criticado apenas uma vez na vida, por homens casados e não integrantes de "movimentos de esquerda", ao ser pego bolinando a mulher do próximo em uma praia carioca. Só. Não é permitido falar nem que ele canta mal. Há sempre uma desculpa pronta para rebater essa crítica. "Mas, ele colocou uma música na novela das oito, apesar de jurar a vida inteira que isso seria como mandar a filha pra zona!". Cante "Metamorfose Ambulante" pra quem disser isso e diga que o grande artista é aquele que se reinventa a cada momento, ou não.

3.5.06

Download: Radiohead novo

No último 1° de maio, Thom Yorke e Jonny Greenwood, as duas peças chave do Radiohead, tocaram no Big Ask benefit, concerto em protesto contra as mudanças climáticas. No show, que ocorreu no KOKO, em Londres, a dupla deu uma prévia de canções novas, como Arpeggi, Bodysnatchers e Cymbal Rush, todas disponíveis aqui para donwload!
Trechos em vídeo do show ainda estão disponíveis aqui.

20.5.05

Cadê meu anti-ídolo?!

Conforme comentamos há alguns meses, o Luna acabou. O último show ocorreu, sem muito estardalhaço, em 28 de fevereiro último, no Bowery Ballroom (NY). A banda não comentou muito o assunto, mas, ao que parece, Dean Warehan simplesmente estava de saco cheio.
Que o Luna era uma banda fenomenal, a qual dominava a técnica de criar canções que mantinham um pé no alternativo e outro no mainstream, todo mundo sabe – e, quem não sabe, deve conseguir agora o último disco da banda, “Rendezvous”. Mas, além disso, o Luna fazia parte daquele restrito rol de bandas cuja missão é fazer música. Eles não ligavam para cabelinhos estilosos, declarações bombásticas, casos com supermodelos ou escândalos semanais por abuso de drogas.
Não acho que há nenhum problema grave em associar a imagem com a música. Velvet Undergound, os Sex Pistols e David Bowie são três dos inúmeros exemplos que conseguiram fazer com que o som e a imagem fossem facetas de uma mesma proposta artística. O problema surge quando um grande número de sujeitos acaba firmando-se mais na aparência, algo que, na minha opinião, é típico das bandas dos anos 2000.
Acho que, apesar de termos um bom número de boas bandas, tenho lá minhas dúvidas se essa postura hype não as ajudou a chegar onde chegaram e se isso não acaba atrapalhando uma substancial evolução delas. Não sei se elas seriam capazes de colocar essa imagem em risco em função da música. Os Strokes, para ficar no exemplo mais óbvio, lançaram um “Is This It”, parte 2, com o "Room on Fire".


Dean no último show do Luna


E é exatamente por esse motivo que determinadas bandas, como o Luna, o Mercury Rev ou o Wilco acabam tendo hoje uma importância maior do que tinham na época em que surgiram. Acredito que elas são as poucas que carregam aquela lição ensinada por muitas bandas que explodiram no começo dos anos 90 e que ligavam mais para mudar a história da música pop do que para cabelinhos engomadinhos.
Se pegarmos esses artistas, é fácil de notar que o caminho mais fácil não era o preferido. Nirvana partiu para o pesadíssimo (tematicamente, inclusive) “In Utero” após o palatável “Nevermind”. O R.E.M. optou pelo orquestral “Automatic for the People” após o sucesso de “Out of Time”. E nem é preciso comentar o caminho do Radiohead após o “Ok Computer”, certo?
Talvez o pessoal “novo rock" deva ser apresentado ao hermitão Jandek – aquele maluco que lança disco há 20 anos, fez uma única apresentação ao vivo, não tem fotos nem entrevistas. Sua música pode ser esquisitíssima, mas, ao menos, ele é a prova viva da possibilidade de fazer música sem essa ligação umbilical com uma imagem.

25.2.05

A arte das canções miseráveis (parte I)

De uns tempos para cá ouvi falar muito do Bright Eyes. Li em alguma revista que o carinha tinha umas letras estilo Bob Dylan, e que as músicas lembravam um folk bacana. Bom, consegui o novo disco do sujeito, chamado “I’m Wide Awake; It’s Morning” e logo na primeira faixa que escolhi para ouvir (“First Day of My Life”) notei que não havia muito conteúdo no disco.
Cheguei então à conclusão que o tal do Bright Eyes faz parte daquele rol enorme de bandas melancólicas que se proliferaram depois que o Radiohead lançou o “The Bends”, como Travis, Coldplay, Keane, Camera Obscura etc. A maior parte delas usa a fórmula segura de melodias grudentas, guitarras pesadas aqui e acolá, pianinhos bonitinhos em arranjos simplistas e letras metidas a tristonhas. Como diria o Homer Simpson, naquele clássico episódio com os Pumpkins e o Sonic Youth, é muito fácil deixar a molecada deprimida...
Posso até estar ficando chato demais, mas acho que a maioria do que essas bandas faz é simplesmente dissolver o que seus antecessores fizeram. Para notar isso é só ouvir o “The Bends” e perceber que o Thom Yorke e seus amigos sabem como fazer uma coisa realmente melancólica e com uma evidente qualidade. As letras não se apegam em imagens simplistas, como fez a “First Day of Life” que citei ali em cima (“I remember the time you drove all night/Just to meet me in the morning/And I thought it was strange, you said everything changed/You felt as if you'd just woke up”), nem em arranjos previsíveis - apesar que, ouvindo hoje o “The Bends”, é difícil notar toda a novidade, já que a influencia do disco já foi bem absorvida.
wilco

Mas, para a reclamação não ficar em conversa de velho, cito aqui um disco de 2004 que é realmente melancólico: “A Ghost is Born”, do Wilco. O disco abre com um pianinho baixíssimo e o sujeito murmurando, a beira da cama de uma mulher chorando, algo sobre ir embora. Quando você espera que isso vá emendar em um refrão grudento, surgem guitarras pesadíssimas capitaneadas pelo líder da banda, Jeff Tweedy e seu novo parceiro Jim O’Rourke (que também toca no Sonic Youth). Daí para o fim, é só barulho e riffs. Mas até mesmo as canções mais pop do disco, como a acústica “Muzzels of Bees”, traz doses de melancolia de qualidade (“And dogs laugh, some say they're barking/I don't think they're mean/Some people get so frightened/Of the fences in between”).
E, para quem quiser conhecer os caras que realmente entendem do assunto, deixo algumas sugestões: “Berlin” do Lou Reed, cheio de violência doméstica e crianças órfãs; “Small Change” do Tom Waits, que cheira à álcool do começo ao fim; “Third/Sister Lovers” do Big Star, carregado de ressentimento; “Songs of Love and Hate” do Leonard Cohen, com suas imagens que vão de uma avalanche soterrando a alma a um Papai-Noel com uma faca de aço inoxidável; e, por fim, o clássico “Blood on the Tracks”, de Bob Dylan, parido dolorosamente após o rompimento de seu casamento.
Divirtam-se.