Segue agora uma lista mais compromissada com minhas preferências pessoais do que com a influência, o impacto, a vendagem ou qualquer outro critério, os quais foram levados em conta na lista anterior.
Black Box Recorder - Facts of Life (2000): no começo dos anos 2000 o britpop já estava morto. As grandes obras do gênero foram todas feitas nos anos 90 e muitas bandas que fizeram sucesso no estilo estavam extintas. Neste sentido, Facts of Life é uma espécie de "álbum de ressaca" do britpop. A temática é a mesma abordada por Blur, Pulp e companhia: o vazio da vida burguesa inglesa. Mas a grandiloquência, as cores e o clima de festa são substituídos por harmonias com clima de trip-hop e letras amargas, cantadas pela bela Sarah Nixey.
Oh, Inverted World - The Shins (2001): primeiro disco do grupo americano que faz um som que transita entre o power pop e o alt-country, este Oh, Inverted World consegue ser melancólico ("New Slang"), animado ("Caring is Creepy"), retrô ("Girl Inform Me") sem perder a unidade. Um disco daquilo que um dia foi chamado de indie rock, estilo que acabou se perdendo graças a modismos e autorreferência.
Modern Age EP - The Strokes (2001): não foi o Is This It que lançou os Strokes: foi este EP que iniciou todo o hype ao redor da banda que tinha a missão ingrata de ressucitar o rock. As versões de Modern Age, Last Nite e Barely Legal são deste álbum são mais cruas, e mostravam que a banda podia mesmo ter salvo o rock...
Black Sheep Boy - Okkervil River (2005): Will Sheff, líder dessa banda norte-americana, inspirou-se na história do compositor Tim Hardin para criar um álbum com ares country, mas permeado de instrumentos diferentes, como acordeões e trompetes, e guitarras saturadas na medida certa. Destaque para as letras do álbum, como os seguintes versos da canção "For Real": "Some nights I thirst for real blood, for real knives, for real cries. And then the flash of steel from real guns in real life really fills my mind."
The Secret Migration - Mercury Rev (2005): produto de uma banda madura, empenhada simplesmente em fazer boas canções. Ótimas melodias, harmonias que vão da psicodelia de bandas como Love até o folk-country de Neil Young, além de uma infinidade de imagens e metáforas geniais infestando as boas letras do grupo.
The Great Unwanted - Lucky Soul (2006): sem qualquer intenção de inovar, o Lucky Soul foi direto aos anos sessenta das Ronettes para buscar inspiração para um dos discos mais pops da década, capaz de curar qualquer depressão.
The Night Falls Over Kortedala - Jens Lekman (2007): segundo LP deste sueco que, a partir de samples, constrói adoráveis canções retrô na melhor linha Belle & Sebastian.
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23.12.09
3.10.08
Dicas marotas - M83, Okkervil River e Mercury Rev
M83 - SATURDAY = YOUTH - Belíssimo disco de abril de 2008 dessa banda francesa capitaneada pelo faz-tudo Anthony Gonzalez. Climas densos, sintetizadores a mil, melodias cuidadosamente assobiáveis e uma vocação incrível para instigar um sorriso no rosto em algumas faixas. Algo como se o My Bloody Valentine montasse uma banda com o MGMT. Destaque para a arrasa-pista "Graveyard Girl" e a arrasa-quarteirão "We Own The Sky" (dica de DG).
MYSPACE: www.myspace.com/m83
OKKERVIL RIVER - THE STAND INS - Novo álbum da banda texana liderada por Will Sheff, que antes de virar músico foi crítico do antológico Audiogalaxy. O grupo, neste disco, parece mais a vontade para criar canções com uma estrutura pop, mas com toques de experimentalismo e rock sulista. Ponto para eles, que conseguiram criar um álbum empolgante (dica de d. chiaretti).
MERCURY REV - SNOWFLAKE MIDNIGHT - Mais um lançamento, desta vez por um dos grandes ícones do rock alternativo da década de 90. Aqui o Mercury Rev leva ao extremo as experimentações do disco anterior, reduzindo as canções a frágeis estruturas permeadas por programações eletrônicas e teclados etéreos. As letras, por sua vez, seguem o mesmo estilo hippie dos discos anteriores, e o estilo das melodias continua intacto. Não é um disco tão interessante quanto os antecessores Desert's Songs, All is Dream e The Secret Migration, mas ainda vale a pena (dica de d. chiaretti).
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1.10.08
Alternativo?
Numa grosseira aula de história do rock, poderia dizer que o indie atual tem suas origens próximas calcadas no post-punk, mais precisamente no college rock, que uniu a simplicidade do punk rock a uma temática mais "artística". Daí nasceram bandas como R.E.M., Sonic Youth, Pixies, Mission of Burma, Gang of Four etc.
Mas, depois de algum tempo, o Grunge veio, quebrou a tal barreira do mainstream e o alternativo, foi embora, apareceu a internet, o Pitchfork, os nerds venceram e se tornaram descolados. A partir daí, ninguém mais precisava se esforçar muito para ter acesso ao rock alternativo e, talvez por conseqüencia dessa "democratização", o indie transformou-se numa marca. Sobre o tema, há um ótimo texto do Simon Reynolds publicado no jornal inglês The Guardian.
Isso acabou gerando, ainda, uma aparente aceitação do rock alternativo como uma opção estética viável para uma boa vendagem de discos (claro que isso não vale para o Brasil). Um claro exemplo foi apontado pelo DG no post anterior, sobre a boy band rock'n'roll Kings of Leon.
Agora, por qual razão os fãs ficam tão possessos quando isso é apontado? Afinal, a música não continua sendo boa (eu discordo no caso do KoL), apesar de ter sido feita por um terceiro? Sim, pode ser, mas no rock, especialmente este supostamente alternativo, a honestidade tem um peso tremendo. As pessoas não consomem o estilo só pelas canções, mas por todo um pacote que vem sendo formatado desde as porralouquices de Jerry Lee e companhia.
Daí chegamos à pergunta: se querem algo honesto, por que ouvir Kings of Leon? Simples preguiça. Ouvir rock efetivamente alternativo ainda tem suas complicações. Não tanto quanto há alguns anos atrás, claro, mas ainda é mais simples conseguir gostar de Kings of Leon do que diversas ótimas bandas alternativas por aí, como Beirut e Okkervil River.
Portanto, querem gostar de Kings of Leon? Sem problemas. Só admitam que isso não fica muito distante de ouvir a boa e velha Britney Spears (de quem gosto muito).
Mas, depois de algum tempo, o Grunge veio, quebrou a tal barreira do mainstream e o alternativo, foi embora, apareceu a internet, o Pitchfork, os nerds venceram e se tornaram descolados. A partir daí, ninguém mais precisava se esforçar muito para ter acesso ao rock alternativo e, talvez por conseqüencia dessa "democratização", o indie transformou-se numa marca. Sobre o tema, há um ótimo texto do Simon Reynolds publicado no jornal inglês The Guardian.
Isso acabou gerando, ainda, uma aparente aceitação do rock alternativo como uma opção estética viável para uma boa vendagem de discos (claro que isso não vale para o Brasil). Um claro exemplo foi apontado pelo DG no post anterior, sobre a boy band rock'n'roll Kings of Leon.
Agora, por qual razão os fãs ficam tão possessos quando isso é apontado? Afinal, a música não continua sendo boa (eu discordo no caso do KoL), apesar de ter sido feita por um terceiro? Sim, pode ser, mas no rock, especialmente este supostamente alternativo, a honestidade tem um peso tremendo. As pessoas não consomem o estilo só pelas canções, mas por todo um pacote que vem sendo formatado desde as porralouquices de Jerry Lee e companhia.
Daí chegamos à pergunta: se querem algo honesto, por que ouvir Kings of Leon? Simples preguiça. Ouvir rock efetivamente alternativo ainda tem suas complicações. Não tanto quanto há alguns anos atrás, claro, mas ainda é mais simples conseguir gostar de Kings of Leon do que diversas ótimas bandas alternativas por aí, como Beirut e Okkervil River.
Portanto, querem gostar de Kings of Leon? Sem problemas. Só admitam que isso não fica muito distante de ouvir a boa e velha Britney Spears (de quem gosto muito).
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14.12.05
Melhores de 2005
A música pop, desde antes de Nick Hornby e as listas de "Alta Fidelidade", vive de ciclos anuais. E todos os fins de ano chovem listinhas com os melhores lançamentos, revelações e afins. Como sou um amante dessas listas, cá está a minha. Este ano, inclusive, pude me dar o luxo de elencar os melhores shows. Então, lá vão minhas escolhas:
1. The Secret Migration (Mercury Rev): produto de uma banda madura, empenhada simplesmente em fazer boas canções. Ótimas melodias, harmonias que vão da psicodelia de bandas como Love até o folk-country de Neil Young, além de uma infinidade de imagens e metáforas geniais infestando as boas letras do grupo.
2. Funeral (Arcade Fire): tá, o disco é do ano passado, mas só no começo desse ano que ele caiu na minha mão e eu ouvi direitinho. Esquivando-se das modas desse começo de século, como a revisita à New Wave ou o rock garageiro, esse octeto canadense usa uma infinidade de influências e instrumentos para criar uma massa sonora impecável, cortada por melodias e riffs grudentos. E eles ainda tocaram no Brasil!
3. Black Sheep Boy (Okkervil River): Will Sheff, líder dessa banda norte-americana, inspirou-se na história do compositor Tim Hardin para criar um álbum com ares country, mas permeado de instrumentos diferentes, como acordeões e trompetes, e guitarras saturadas na medida certa. Destaque para as letras do álbum, como os seguintes versos da canção "For Real": "Some nights I thirst for real blood, for real knives, for real cries. And then the flash of steel from real guns in real life really fills my mind."
4. You Could Have It So Much Better (Franz Ferdinand): ao invés de seguir a fórmula do genial disco anterior, o grupo de Alex Kapranos optou por investir em outros sons. O primeiro single, "Do You Want To" trocou os riffs insanos de "Take Me Out" por ótimas batidas dançamtes. Já em "Walk Away" há a invocação dos Smiths em uma balada cheia de melancolia e ironia: "And I'm not cold, I am old/At least as old as you are".
5. Clap Your Hands Say Yeah (Clap Your Hands Say Yeah): guiada pela voz desafinadíssima de Alec Ounsworth (algo entre Bob Dylan e Gene Ween), esse grupo de Nova York faz um indie-rock cheio de qualidade e originalidade. Além do mais, esta é mais uma daquelas bandas que soube usar muito bem o boca a boca virtual e a distribuição maciça de MP3 para garantir um lugar ao Sol.
Menções honrosas: Antony & The Johnsons (baladas tristes, com ecos da fase Berlin de Lou Reed), Kaiser Chiefs (dance, motherfucker, dance), Bloc Party (mais rock dançante), Raveonettes (Buddy Holly encontrando o Jesus and Mary Chain), Ryan Adams (voltou a calçar suas botinas e lançou um monte de discos novos), José Gonzales (folk-singer que coloca o queridinho Willy Manson no chinelo), Sufjan Stevens (baladas folk dedicadas ao estado de Illinois).

Arcade Fire
Shows:
1. Mercury Rev (Curitiba Rock Festival): amparando-se no repertório do último disco, "The Secret Migration", e nos hits dos álbuns anteriores, o grupo evocou a atmosfera folk-psicodélica de estúdio de forma primorosa. Vale ainda lembrar da performance teatral de Jonathan Donahue e das imagens projetadas ao fundo da banda, que se integravam perfeitamente às canções.
2. Flaming Lips (Claro que é Rock): mesmo quem nunca tinha ouvido a banda adorou o show. Teve tudo: bolha espacial, confetes, serpentinas, ursinhos de pelúcia, bexigas e demais esquisitices providenciadas por Wayne Coyne e sua mente fritada pelos anos de consumo de drogas. E não faltaram os hits da banda, como "Do You Realize?" e "She Don’t Use Jelly", os quais foram devidamente acompanhados dos covers de uma versão karaokê de "Bohemian Rapsody" e da bélica "War Pigs", do Black Sabbath.
3. Arcade Fire (Tim Festival): a perfeita vingança dos nerds. Um bando de canadenses esquisitos que conseguiram fazer violinos e acordeões soarem mais pesados que as guitarras dos Kings of Leon. Somente Iggy Pop conseguiu rivalizar a energia e presença de palco do grupo em sua apresentação carioca.
4. Wilco (Tim Festival): solos longos à la Neil Young, baladas certeiras e uma ou outra dose de experimentalismo distribuídas em duas horas de show. Com mais de uma década de estrada, Jeff Tweedy contou com sua experiência e o amplo repertório da banda para fazer uma das melhores apresentações do ano.
5. Iggy Pop (Claro que é Rock): ele é o Iggy Pop. Ele tocou sem camisa e com o cofrinho a mostra. Ele se enfiou no meio do público, arrumou encrenca com os seguranças e com a "fuckin’ MTV". E tocou "I Wanna Be Your Dog" duas vezes. Precisa mais?
1. The Secret Migration (Mercury Rev): produto de uma banda madura, empenhada simplesmente em fazer boas canções. Ótimas melodias, harmonias que vão da psicodelia de bandas como Love até o folk-country de Neil Young, além de uma infinidade de imagens e metáforas geniais infestando as boas letras do grupo.
2. Funeral (Arcade Fire): tá, o disco é do ano passado, mas só no começo desse ano que ele caiu na minha mão e eu ouvi direitinho. Esquivando-se das modas desse começo de século, como a revisita à New Wave ou o rock garageiro, esse octeto canadense usa uma infinidade de influências e instrumentos para criar uma massa sonora impecável, cortada por melodias e riffs grudentos. E eles ainda tocaram no Brasil!
3. Black Sheep Boy (Okkervil River): Will Sheff, líder dessa banda norte-americana, inspirou-se na história do compositor Tim Hardin para criar um álbum com ares country, mas permeado de instrumentos diferentes, como acordeões e trompetes, e guitarras saturadas na medida certa. Destaque para as letras do álbum, como os seguintes versos da canção "For Real": "Some nights I thirst for real blood, for real knives, for real cries. And then the flash of steel from real guns in real life really fills my mind."
4. You Could Have It So Much Better (Franz Ferdinand): ao invés de seguir a fórmula do genial disco anterior, o grupo de Alex Kapranos optou por investir em outros sons. O primeiro single, "Do You Want To" trocou os riffs insanos de "Take Me Out" por ótimas batidas dançamtes. Já em "Walk Away" há a invocação dos Smiths em uma balada cheia de melancolia e ironia: "And I'm not cold, I am old/At least as old as you are".
5. Clap Your Hands Say Yeah (Clap Your Hands Say Yeah): guiada pela voz desafinadíssima de Alec Ounsworth (algo entre Bob Dylan e Gene Ween), esse grupo de Nova York faz um indie-rock cheio de qualidade e originalidade. Além do mais, esta é mais uma daquelas bandas que soube usar muito bem o boca a boca virtual e a distribuição maciça de MP3 para garantir um lugar ao Sol.
Menções honrosas: Antony & The Johnsons (baladas tristes, com ecos da fase Berlin de Lou Reed), Kaiser Chiefs (dance, motherfucker, dance), Bloc Party (mais rock dançante), Raveonettes (Buddy Holly encontrando o Jesus and Mary Chain), Ryan Adams (voltou a calçar suas botinas e lançou um monte de discos novos), José Gonzales (folk-singer que coloca o queridinho Willy Manson no chinelo), Sufjan Stevens (baladas folk dedicadas ao estado de Illinois).
Arcade Fire
Shows:
1. Mercury Rev (Curitiba Rock Festival): amparando-se no repertório do último disco, "The Secret Migration", e nos hits dos álbuns anteriores, o grupo evocou a atmosfera folk-psicodélica de estúdio de forma primorosa. Vale ainda lembrar da performance teatral de Jonathan Donahue e das imagens projetadas ao fundo da banda, que se integravam perfeitamente às canções.
2. Flaming Lips (Claro que é Rock): mesmo quem nunca tinha ouvido a banda adorou o show. Teve tudo: bolha espacial, confetes, serpentinas, ursinhos de pelúcia, bexigas e demais esquisitices providenciadas por Wayne Coyne e sua mente fritada pelos anos de consumo de drogas. E não faltaram os hits da banda, como "Do You Realize?" e "She Don’t Use Jelly", os quais foram devidamente acompanhados dos covers de uma versão karaokê de "Bohemian Rapsody" e da bélica "War Pigs", do Black Sabbath.
3. Arcade Fire (Tim Festival): a perfeita vingança dos nerds. Um bando de canadenses esquisitos que conseguiram fazer violinos e acordeões soarem mais pesados que as guitarras dos Kings of Leon. Somente Iggy Pop conseguiu rivalizar a energia e presença de palco do grupo em sua apresentação carioca.
4. Wilco (Tim Festival): solos longos à la Neil Young, baladas certeiras e uma ou outra dose de experimentalismo distribuídas em duas horas de show. Com mais de uma década de estrada, Jeff Tweedy contou com sua experiência e o amplo repertório da banda para fazer uma das melhores apresentações do ano.
5. Iggy Pop (Claro que é Rock): ele é o Iggy Pop. Ele tocou sem camisa e com o cofrinho a mostra. Ele se enfiou no meio do público, arrumou encrenca com os seguranças e com a "fuckin’ MTV". E tocou "I Wanna Be Your Dog" duas vezes. Precisa mais?
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