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19.7.09

Fofoquitas

Adriano Cintra, do Cansei de Ser Sexy, em entrevista para a MTV, demonstrando seu carinho e apreço por Lúcio Ribeiro, aquele que um dia considerou a banda a maior coisa do mundo e hoje finge que nunca existiu:


"Lúcio Ribeiro: Entrou em vários festivais de graça colando
na nossa, hoje em dia acho que escreve um blog"



Acho que isso explica muita coisa.

11.7.08

Dicas Marotas

Inflacionando as tradicionais dicas marotas, trazemos alguns bons lançamentos pra vocês se divertirem no final de semana. Enjoy!



* O The Verve volta com tudo. Depois de fecharem o Glastonbury, soltam musiquinha nova na rede. É "Love is Noise", primeiro single do novo disco, Forth, que será lançado oficialmente em agosto. Seria o Verve pegando atrasado o bonde das bandas dançantes?

* O Rappa também solta música nova, depois de 3 anos sem lançar nada. "Monstro invisível" tem o estilo característico da banda carioca, bem Jorge Ben. Lembra bastante a antiga "O Homem Amarelo". O disco completo também sai em agosto e o nome não foi divulgado. Falcão promete mudança total de rumos. Veremos.

* Vazou também na rede o novo do Cansei de Ser Sexy, a banda que todos amam odiar. "Donkey" será lançado oficialmente dia 22 de julho e traz a banda mais pro lado rocker, fugindo um pouco do electro. Eles acabam de ser capa da NME e a repercussão deve ser grande lá fora.


* O faladíssimo MGMT (ou The Management) foi confirmado pro Tim Festival esse ano. Enquanto eles não chegam, você pode ir decorando as letras com a performance deles no Glastonbury, na última semana.

* Enquanto os Strokes não lançam disco novo e a banda do Fab Moretti com o Rodrigo Amarante ainda esquenta os tamborins, delicie-se com o novo de Albert Hammond Jr., um dos guitarristas da banda. "Como te llama" foi descrito pela NME como uma mistura de Tom Petty com Elliot Smith, mas ainda um legítimo Strokes.

* Por fim (ufa!) pra quem gosta de ser moderninho e antenado, recomendamos a oitiva de "Geraldine" do Glasvegas. A banda de Glasgow é a nova queridinha dos críticos ingleses e o disco de estréia deve sair por agora. Música pra dançar, apesar da estória triste!

7.7.08

Brasilidade?

Está em todo lugar: a bossa nova, o movimento que mais projetou a música brasileira no exterior, está fazendo 50 anos. E qualquer interessado no gênero sabe que os EUA, a Europa e o Japão consomem mais bossa nova que o Brasil. Veja quantos discos de estúdio do João Gilberto você encontra nas Lojas Americanas e quantos encontra na Virgin...
Mas isso não importa para este texto. Quero apontar aqui outra questão: quando falam de bossa nova, dizem logo que ela surgiu da fusão do jazz com o samba. Ora, para mim bossa nova é jazz, com um certo sabor de brasilidade. Afinal, a bossa está mais próxima do samba ou do cool jazz de um Chet Baker? Digam aí:



Pois bem. Essa proximidade da bossa nova com o jazz poderia servir de exemplo para que o Brasil entendesse que boa música feita aqui não precisa estar cheia de "brasilidade". Mas, claro, isso não foi percebido por todos. A bossa logo foi taxada de reacionária, a tropicália e a MPB engajada e passadista ganharam destaque e a coisa só começou a mudar mesmo com o Sepultura, mais de 30 anos depois.
Hoje, felizmente, o cenário parece estar evoluindo mais. Temos, de um lado, uma banda como CSS, cuja maior brasilidade está no recente cover de "Marrom Bombom". De outro, um grupo como Los Hermanos, que une a tradição do samba (agora sim!) com o rock.
Por isso, acertada a decisão da Mallu Magalhães em gravar o próximo disco com um bom produtor, amplificadores vintage, microfones dos anos 60 e outros equipamentos que podem dar uma sonoridade retrô à sua música. Antes tentar melhorar suas canções country e folk a investir num pop rock em português, calcado no BRock que ela tanto gosta mas que poderia colocar suas melodias em perigo...
Porque não é só de brasilidade que vive a boa música brasileira.

20.6.08

A anta de cada um

PRA OUVIR ENQUANTO LÊ:





Lula é a anta de Mainardi. O Cansei de Ser Sexy é a minha. Pretensioso, né? Pela milésima vez cheguei à conclusão de que a banda, desde o início, não passa de um grande negócio muito bem arquitetado. É claro que os gatos pingados que gostam deles ficam mordidos com quem fala isso (alguem falou em teoria da conspiração?). Tem gente que acredita até hoje que o Sex Pistols era um grupo punk-libertário-anarquista. Enfim...



Ligue os pontos. Entre no maior portal de notícias brasileiro. Uma singela busca é suficiente para notar que eles têm mais notícias que The Strokes, The Libertines, White Stripes e quase o mesmo que Arctic Monkeys e Franz Ferdinand!!! Ok, pra ir mais longe, ganham da Rihanna, do 50 Cent, do Timbaland, da Björk... e por aí vai. É uma brincadeira divertida. Tentei a Pitty, Charlie Brown Jr. e Cachorro Grande também. E eles foram imbatíveis. Observo que no site do Estadão, por exemplo, os resultados foram bem diferentes. Deve ser diferença no "foco".


Aí você pega uma matéria no "Le Monde" que diz que eles "são os 'enfants terribles' da cena musical maluca de São Paulo". Eu não consigo imaginar essa cena musical maluca de São Paulo. Se fosse gaúcha ou goiana, vá lá. O Observer diz que lideram uma nova frente da world music (!!!!! – tipo, Gilberto Gil?) e que você precisa ouvi-los. Tudo bem. O pessoal lá de fora analisa mais pelo aspecto "The Sexual Life of the Savages", é o jeito deles. Mas, aqui no Brasil-il um blogueiro de sucesso diz que uma das músicas novas parece ter sido feita pelos BEATLES (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!). Caro leitor, mentalize aquele comercial da Wallita Juicer: "incrível, fantástico, imperdível, fenomenal". Ou até o mestre Ciro Bottini: "compre, compre, compre!". Não parece?


E é muito raro ver alguma matéria analisando criticamente a música em si. É sempre a roupa, a performance, o namorado da vocalista, a banda brasileira e coisas assim., "superafim"... Sempre "na brodagem". Uma coisa entre Capricho e Contigo.


Méritos e gostos musicais à parte, juro que não consigo achar tudo isso natural e meramente uma consequência do som deles. Can you?

2.6.08

Mallu e as feijoadas...

Costumo odiar artistas lambidos em excesso pela imprensa ou parte dela. Eu odeio Mallu Magalhães. Não por ela ou pelas músicas em si. Não consigo suportar o furdúncio que se faz sobre algo que não representa nada. Pior, o exagero de alguns críticos cria um efeito de público inacreditável, de tão sem sentido. O “efeito Mallu” expõe a mediocridade de parte de nossa imprensa musical e, principalmente, a acefalia da molecada, que consome qualquer coisa que tenha um “selo de qualidade” reconhecido. O mais engraçado é que eles se auto-intitulam independentes.

Uma coisa é resenhar um disco, levantar a bola de um artista ou até dar um espaço um pouco maior para algo em que se aposta. Mas qual o interesse em se dar capa de jornal, comercial, programa de televisão, textos semanais ininterruptos? Isso se deu com o CSS, com o Bonde do Rolê e Mallu é só a bola da vez. “Ah, mas os críticos europeus adoram eles e isso demonstra que eles são bons mesmo”. Isso só demonstra ainda mais a mediocridade das pessoas que se deixam levar por esse negócio que chamam de hype. Essa maldita palavra conseguiu transformar até Björk em símbolo máximo do refinamento musical, dá pra ter noção disso?

Sinceramente: você gosta de feijoada em lata? Não conheço ninguém que goste. Mas vende pra caramba, né? Pronta pra comer e não dá trabalho nem de procurar a receita. O que importa é encher a barriga, não é mesmo? Todos ficam contentes. O dono da fábrica, o cara que te vende isso como algo bom e você, um idiota que aceita que te enfiem qualquer coisa.

Como diria um antigo personagem da “Praça é Nossa”, vamo faze uma apostinha? The next big thing é essa aqui ó: http://www.youtube.com/watch?v=g6CZOq-Wl-w . Antigo hino dos shows do Wonkavision.

Olha como eu sou genial! O John Peel brasileiro!

Mallu Magalhães o novo-Nirvana? O que dizer da Soko então? Parecido, né?

Aaaah vaaahh!



30.3.06

Peraê meu...



O Bonde do Rolê, que foi citado como banda bem interessante no post passado (sobre o Cansei de Ser Sexy), agora está, aparentemente, mais hypado que o próprio CSS lá fora! A banda é inteligente, engraçada, usa samples de uma maneira muito diferente, misturando rock e funk carioca. Mas isso é um exagero sem dimensões!

Se você não está entendendo sobre o que estou falando, então olha:

1 - A britânica "New Musical Express" publicou nota sobre a banda, indicando-a para aqueles que "amam a influência baile funk" de uma música do The Streets. Duvida? Olha aqui então. (Detalhe para a data da edição no pé da página)

2 - A Rolling Stone (sim.. a Rolling Stone) publica periodicamente uma lista dos "10 Artists to Watch", lugar já ocupado pelo Artic Monkeys. Na edição desse mês, do lado da bacana TV on the Radio está... rufem os tambores.. o Bonde do Rolê. Duvida? Então olha aqui.

Repito: nada contra o som deles, que é realmente interessante, divertido e inovador. O problema é esse exagero com uma banda que tem um punhado de músicas prontas e muito mal-produzidas.

Onde vai parar esse brutal dinamismo do exagero? As bandas acabam de surgir no cenário e já estão sendo enxovalhadas com esses endeusamentos totalmente desmerecidos. Creio não ser nada sadio esse desespero da imprensa, que, apesar de ser uma síndrome pós-Nirvana, vem atingindo dimensões patológicas atualmente.

Espere e verás o Lúcio Ribeiro iniciar sua idolatria por esse trio de Curitiba.

23.3.06

Cansei de Ser Sexy ganha o mundo



Caríssimos e caríssimas:

Voltamos à ativa com uma notícia no mínimo impactante.

De acordo com Erika Palomino, da Folha de São Paulo, a banda Cansei de Ser Sexy assinou contrato para lançamento de seu disco nos Estados Unidos com a falida gravadora Sub Pop, responsável pelo lançamento de Bleach, do Nirvana, e detentora do "passe" de bandas como Mudhoney, Built to Spill, The Constantines, entre outras trocentas.

Para quem não conhece, o Cansei de Ser Sexy é a banda foco do hype da grande mídia de São Paulo (leia-se Folha de São Paulo e MTV)há alguns anos. Com apresentações espalhafatosas de gosto duvidoso (principalmente de sua vocalista/desenhista da Triton, Lovefoxxx) e conteúdo musical de gosto mais duvidoso ainda, o CSS teve, desde seu início, a simpatia da "crítica" e dos formadores de opinião e o desprezo de grande parte do público.

Com méritos ou não, a banda, em pouco mais de 2 anos de existência conseguiu lançar música na versão nacional do seriado de Paris Hilton, incluir uma faixa no The Sims 2 brasileiro e até no Big Brother 6 e, agora, ser lançada no exterior por uma gravadora que tem um grande passado a zelar.

O sucesso interno da banda, porém, não é refletido em termos de público. Apesar da forcinha da MTV, seus videoclipes são de baixa execução e suas músicas não tocam nas rádios, com exceção dos amigos da Brasil 2000. Seu disco, lançado com estardalhaço pelo selo Trama Virtual, de Carlos Eduardo Miranda, e "brodeado" por Lúcio Ribiero e Erika Palomino (veja aqui), da Folha de São Paulo, não obteve vendas expressivas, mesmo com as aparições em festivais pelo país.

Agora, apadrinhado por Diplo, o marido de M.I.A, o CSS lança o disco e parte em turnê pelos Estados Unidos, a partir do meio do ano, com o padrinho e o trio de "funk" Bonde do Rolê, uma banda bem interessante de Curitiba, que consegue utilizar samples de clássicos do rock para fazer seu batidão (escute aqui).

Vamos ver onde isso vai parar.

1.12.05

Chimbinha, Cansei de Ser Sexy e o mercado malvado

Até pouco tempo atrás, a Banda Calypso não era absolutamente nada no sudeste. Eu até já ouvira um amigo – amante de forró e música brega – rasgar alguns exaltados elogios à banda quando passávamos em frente de uma barraquinha de camelôs. Mas, passado mais de um ano desse dia, a Banda Calypso está estourada na mídia, com uma vendagem de discos que chegou a 5 milhões de cópias, e apresentações lotadas em casas de show nobres.
Indagado pela Folha de S. Paulo sobre o baixo preço dos oito discos da banda (R$ 10,00), Chimbinha, que divide a liderança do grupo com cantora-dançarina Joelma, dispara: “Nós mesmo fabricamos e fica mais barato do que fazer com uma gravadora. Não pagamos produtor, diretor não sei do quê, arranjador. Eu mesmo faço o arranjo, a direção, tudo. Não ganhamos muito com o CD, mas ficamos conhecidos e temos lucro com o show”. E emenda, sobre a pirataria: “(...) não brigamos com os pirateiros. Estouramos por causa da pirataria, que nos levou a várias cidades onde não chegaríamos”. Hipocrisia zero.


Joelma e Chimbinha, da Banda Calypso


E o fashion-hype Cansei de Ser Sexy adotou uma estratégia semelhante à da banda paraense. Correndo por fora da indústria fonográfica normal, alavancou a carreira a partir da distribuição gratuita de MP3s e propaganda em blogs – a versão século 21 da disseminação “boca a boca”. Gravaram então um disco oficial (com preço oficial, inclusive), mas vendem em shows uma versão alternativa do álbum, que traz um CD-R. Com ele o comprador grava uma cópia do álbum e dá (sim, de graça) para alguém.
A semelhança dos dois casos é nítida: observando o atual contexto da industria fonográfica, as duas bandas criaram alternativas viáveis para a disseminação de suas canções. Como os dois grupos encontraram bons nichos de venda, bingo!
E isso ainda serve para quebrar as pernas daqueles sujeitos que sempre reclamam da “falta de espaço para a divulgação do trabalho”. Mais do que nunca, o espaço está aberto. A questão é ser esperto como o Chimbinha.

30.8.05

Eu estava certo

Geralmente tento escrever essas colunas do modo mais impessoal possível. É claro que é besteira dizer que dá para ser totalmente objetivo, mas com algum esforço é possível chegar perto.
Bom, desta vez eu quero ser pessoal só para afirmar: “eu estava certo”.
Há mais de um ano, eu e mais dois amigos nos enfiamos num evento comemorativo do Dia da Mulher. Na verdade o local era um encontro de riot grrrls (com muitos “r”), recheado de bandas com um pé no punk e outro em discursos feministas retrógrados. Só a última banda não bradou contra a dominação dos machos. Ao invés disso, meia dúzia de meninas se espremeram no palco e mandaram pouco mais de 20 minutos de músicas rápidas e sujas, com as duas vocalistas gritando e se empurrando o show todo.
Era o começo do hype ao redor do Cansei de Ser Sexy e minha defesa em favor da banda, uma das poucas da cena indie que eu achava que tinha futuro.
Mais de um ano depois assisti outro show delas. A essa altura, elas já haviam tocado no Tim Festival e estavam escaladas para o Campari Rock. Ao invés de barulheira e um teclado vagabundo daquele meu primeiro, bases programadas que tornam o show quase um playback. Ou, como disse um amigo, um circo.



A performance continuava parecida, mas, por incrível que pareça, as coisas soavam mais amadoras ainda. Lovefoxxx tentava brincar de fazer malabarismos com o microfone, mas não conseguia. Suas piadinhas eram ruins e suas dancinhas parecem ter saído de algum programa de auditório dos anos 80. Nenhuma banda de electro precisa de três guitarras fazendo os mesmos power chords. É notório que o único músico da banda é o Adriano ex-Butcher.
Mas, havia pouco daquela pose indie que tanto empesteia a maior parte das bandas do gênero. A coisa estava mais perto do Latino do que do Placebo. Mais perto do Réu e Condenado do que dos Forgotten Boys.
Termina o show e uma amiga que nunca deve ter ouvido as palavras indie ou hype na vida diz que também queria “cansar de ser sexy”.
Hype? Sim, sem dúvidas. Importa? Bom, já ouvi o Ludov sendo tocado até na rodoviário do Tietê. O Daniel Belleza jogou no Rock Gol. E outros tantos casos. Até agora não foram muito longe: não chamaram atenção de ninguém que convive em locais onde há uma real concorrência na cena musical, não conseguiram usar pose, internet, ironia, amadorismo e coisas afins de um jeito inteligente.
E nem irão. Só hype não leva ninguém muito longe.
E acredito que vou estar certo dessa vez também.

P.S.: escrevo isso antes das pretensões do CSS darem certo de verdade – coisas como lançamento de discos e turnê internacional. Senão, seria fácil demais falar “eu estava certo”.