Mostrando postagens com marcador Beatles. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Beatles. Mostrar todas as postagens

27.8.09

O novo e o velho

No emblemático dia 09.09.09 o catálogo dos Beatles chegará às lojas em dois novos formatos. Um deles, mais tradicional, será uma (nova) versão remasterizada (inclusive em mono) de todos os discos da banda num formato que acompanhará documentários e farta informação escrita. O outro será o The Beatles: Rock Band. Não preciso nem dizer que a segunda versão é que está sendo ansiosamente aguardada...
Hoje em dia o videogame se tornou uma lucrativa plataforma musical. Ao invés de simplesmente sentar e ouvir as canções, o sujeito pode, com a ajuda de ridículas réplicas de instrumentos, fingir que faz parte da banda. No caso dos Beatles a coisa é levada para outro patamar: o jogador começará no Cavern Club e terminará no show sobre o teto da Apple, passando por momentos antológicos da história dos Beatles e, portanto, da música pop.
E o tal catálogo remasterizado? Sinceramente, será que uma geração habituada à péssima qualidade de canções em MP3 e fones vagabundos (sim, o fone do iPod é vagabundo) irá notar a diferença nessa edição remasterizada? Será estão, realmente, interessados em ouvir as versões em mono dos discos, mesmo se souberem que John Lennon dizia que isso é o certo?
Alguém poderia dizer que esses lançamentos são voltados para um público mais adulto, que ainda consome música em sua forma física. Neste caso a gravadora poderia tomar algum cuidado e tentar utilizar a fonte mais próxima possível dos masters originais (se não os próprios) e, quem sabe, fazer o lançamento também em vinil.
Afinal, enquanto a música vai ficando cada vez mais distante de suas origens, o mercado para saudosistas do século 20 é cada vez mais promissor...


9.2.09

Corega Rock´s

Na falta de bandas novas e diante da recente falha global na produção de hormônios adolescentes... Paul McCartney e Dave Grohl tocando no Grammy Awards, encarnando aquela verdadeira banda de Baile de Formatura. Só pra provocar, algo como o Chorão cantando "Whiskey a Go Go" com o Roupa Nova. Brincadeira, brincandeira!


11.11.08

Beatlepatia

Eu sempre desconfio da inteligência musical de fanáticos por Beatles com menos de 5 décadas de vida. E, sem qualquer exercício joão-biduísta, normalmente estou certo. Alguma pesquisa de algum grande instituto ainda vai provar que esse tipo de gente é responsável por um grande movimento de emburrecimento musical. Gosto bastante dos meninos de Liverpool, mas quando ouço alguém da minha idade dizendo que eles formam sua banda preferida lembro de minha avó, dizendo que Orlando Silva, sim, é que é cantor.

Tente essa brincadeira interna com uma pessoa que se encaixa no perfil acima. É infalível. Pergunte se ouviu algum disco novo, sei lá, Coldplay. Ela vai mentir que ouviu e soltar que é bacana, mas nada supera os arranjos de “In My Life”. Tente puxar um assunto sobre música eletrônica. Inevitavelmente a resposta vai ser que as músicas são todas iguais, chatas e conceituais e que viagem de verdade foi só o “Sgt. Peppers”. Então, vai... MPB, sei lá, Tropicália? Até tem músicas legais, mas, claro!, é tudo chupado dos quatro rapazes. Rock Nacional? O RPM foi uma verdadeira beatlemania brasileira. Rolling Stones? Sempre foram uma cópia e só fizeram sucesso quando o John Lennon, bla bla bla... Grunge? Os Beatles inventaram o grunge com “Helter Skelter”. É irritantemente engraçado e normalmente acompanhado de explicações de que foram eles que criaram a música pop e comentários de almanaque variados.

O cidadão sabe a cor da cueca que o Ringo usava no dia 23 de fevereiro de 1967 (dia da gravação de “Lovely Rita”, meo!), mas não consegue estabelecer um mínimo de cultura musical que não seja relacionada com Beatles, mesmo quando a relação feita é a mais estapafúrdia possível. Ignora-se 40 anos de música popular apoiando-se num “standard” do gosto musical refinado, o lugar-comum da preguiça cultural. Nada mais brasileiro que isso, vide as viúvas da Bossa Nova no alto de seus 25 anos de idade. É quase tão boçal como dizer que Björk é o que há de melhor na música contemporânea.

Desculpa aí, vó. Orlando Silva é que é cantor? A senhora é muito antiquada. Sou muito mais o John em “Revolution #1”. Isso sim é que é música! Aliás, tem uma história boa sobre o terceiro dia de gravação, no quarto take no estúdio...

12.5.08

Os intocáveis


Inexplicavelmente alguns artistas são imunes a críticas negativas. E, convenhamos, isso é muito chato e extremamente contraproducente. Discos patéticos, atitudes constrangedoras e discursos contraditórios. Nada disso é suficiente para que lhes lancem um tomatinho que seja. Em alguns casos parece que o próprio artista se joga numa furada pra testar e comprovar essa imunidade, ou até pra dar uma zoada nos críticos e fãs (o que é fantástico). Eis aqui meu TOP 4 dos artistas intocáveis:


Bob Dylan – O mito da nova juventude intelectualizada brasileira. Ele não era tão adorado assim nem na época dos seus pais, mas estamos no Brasil, né meo. Até quando fez música chata de igreja foi considerado gênio. E uma dica: renegue os discos mais famosos e os clássicos que foram gravados por outras bandas. Nunca fale que você gosta de "Knockin´ on Heaven´s Door". Nem que "All Along The Watchtower" é melhor com o Hendrix. Você será linchado.


Beatles – Se for fazer uma lista de melhores discos de todos os tempos, coloque pelos menos 5 deles entre os dez primeiros. Mesmo que você tenha 13 anos e nunca tenha escutado algo além de Yesterday e Twist and Shout tocados por seu tio em um churrasco. Fale que não há banda que entenda mais de harmonia, melodia e experimentação musical, mesmo que não saiba de cabeça todas as notas musicais. Acha o "Álbum Branco" meio chato e repetitivo? NUNCA repita isso.


Radiohead – Desista de achar algum disco deles chato. Isso nunca vai acontecer. Se não gostar, guarde esse sentimento ignóbil. A dupla "Kid A" e "Amnesiac" são marcos do pós-rock. Mas... O que é pós-rock? Sim, você deve ter um déficit de cultura musical muito grande para não entender este termo e esses discos. Não se preocupe, apenas repita comigo: tudo o que eles lançarem de hoje em diante é genial (e pós-rock).


Chico Buarque – Se quiser fazer amigos pseudo-intelectuais, nunca fale mal dele. Principalmente em algum centro acadêmico de universidade pública. Isso pode ser fatal. Foi criticado apenas uma vez na vida, por homens casados e não integrantes de "movimentos de esquerda", ao ser pego bolinando a mulher do próximo em uma praia carioca. Só. Não é permitido falar nem que ele canta mal. Há sempre uma desculpa pronta para rebater essa crítica. "Mas, ele colocou uma música na novela das oito, apesar de jurar a vida inteira que isso seria como mandar a filha pra zona!". Cante "Metamorfose Ambulante" pra quem disser isso e diga que o grande artista é aquele que se reinventa a cada momento, ou não.

3.12.04

"Whaaat would you do..."



Enfim, de novo! A TV Cultura volta a passar, desde o início, a série mais fantástica de todos os tempos. O que intriga é o porquê dela causar tanta aceitação do público (não falo só por mim), mesmo tendo sido produzida há mais de dez anos e ter o enredo passado no fim dos anos 60 e por todo os anos 70.

Não dá para negar a identificação da maioria das pessoas que assistem com o personagem principal, Kevin Arnold. É o típico adolescente "loser": zoado pelo irmão mais velho, dominador na relação com os amigos e fracassado nas tentativas amorosas. Um pobre coitado que pensa 15 vezes antes de fazer uma besteira.

Na verdade, o narrador (ele mais velho) se comporta como uma consciência arrependida, um olhar crítico severo sobre as reações impulsivas e fracassadas que o "loser" tinha quando moleque. E tudo num tom de "Caralho, como eu era idiota" durante os episódios e "Putz! Q saudade que eu tenho daquilo", nos finais filosóficos (aliás, sempre ensinadores).

O incrível é que a série é um retrato absurdamente real dos terríveis conflitos internos vividos naquela fase da vida, sendo indiferente a época, país ou condição social do personagem . Ao mesmo tempo em que ressalta a beleza e a alienação sincera de um moleque que só queria se dar bem, seja com a Winnie Cooper, no 21 contra o Paul ou nas zoações do Wayne, no meio de um mundo em que rolava o movimento hippie, a Guerra Fria e a Guerra do Vietnã.

Outro fator de identificação eu acredito que seja a trilha sonora, lotada de grandes clássicos do rock da época, ouvindo-se desde Jimi Hendrix (que num episódio a irmã "hippie" definie como "o maior guitarrista do mundo" ao respoder à mãe que mandava ela desligar aquele barulho), Bob Dylan, Beatles, Beach Boys, Joan Baez, The Monkees, The Doors, Cream, Johnny Cash, Neil Young e uma porrada de outros grandes. Por sinal, dá pra conferir no site http://whiplash.net/cinemaanosincriveis.html a trilha sonora de cada episódio (fantástico isso!).

Pelo fato de ser uma representação da visão de um menino sobre as coisas, eu sinceramente não sei qual a aceitação entre o público feminino (questão a ser resolvida nos comentários) bem como em relação aqueles que não conhecem a fantástica trilha sonora (eu, sem conhecer porra nenhuma das bandas, já curtia quando era criança).
Mas, realmente, os roteiristas merecem todas as honras por terem ido tão fundo na análise psicológica e por terem colorido as "enrascadas" do nosso "loser" com uma trilha sonora do caralho! Dá até vontade de ter vivido naquela época...
Então não percam amiguinhos: todo dia, às 18:30 na TV Cultura.

PS: que o idiota era lerdo com a Winnie Cooper, ele era hein? Puta que pariu!