Dividi minha lista das melhores da década em três. Nesta aqui vou postar as unanimidades dos anos 2000: bandas e artistas que, por motivos óbvios, estão em quase todas as listas especializadas publicadas neste ano. Tentei ser abrangente.
Depois vou publicar uma listinha com os subestimados da década. Por fim, outra listinha com singles.
Radiohead - Kid A (2000): a história é conhecida: todos esperavam um novo Ok Computer, mas a banda retornou com um disco esquisito, sem guitarras e carregado de batidas eletrônica quebradas que soa muito melhor hoje em dia. Com letras urbanas e totalmente paranóicas, a banda antecipou muito do que seria o pop na década vindoura, ajudando a catapultar o Radiohead para o panteão das bandas politicamente corretas que "têm algo a dizer".
Flaming Lips - Yoshimi Battles the Pink Robots (2002): que tal falar sobre morte e solidão através da história de uma menina que treina karatê para combater robôs rosa? Com essa idéia os malucos do Flaming Lips compuseram um dos mais belos discos da história. Ou há alguma canção mais bonita do que Do You Realize?
Wilco - Yankee Hotel Foxtrot (2002): o disco foi da rejeição pela gravadora a um Grammy após ter sido vazado na internet, o que ajudou a mostrar a força do MP3 e de sites especializados. O disco mistura estilos tradicionais como country e folk com experimentalismo dos bons, consolidando o Wilco como uma das mais criativas bandas americanas.
Arcade Fire - Funeral (2004): molecada canadense com um show insano e um estilo extremamente original que conseguem fazer com que músicas sombrias soem empolgantes. Nada produzido na década soa como essa banda.
Beirut - Gulag Orkestar (2006): projeto do moleque Zach Condon que trouxe elementos música do leste europeu para o pop. Outro disco original, que não soa como nada feito nesta década, apesar das várias referências musicais do disco. Mostrou que nem só de anos 80 vive a música pop.
Radiohead - In Rainbows (2007): fora da EMI a banda conseguiu surpreender (e vender) na era do MP3 ao lançar um disco sem preço. Além disso, a qualidade musical ajudou no hype: sem abandonar os experimentalismos, nem retornar para a fase Ok Computer, o Radiohead lançou seu álbum mais acessível na década.
TV on the Radio - Dear Science (2008): a música negra por excelência na década foi o R'n'B. Aliás, há um bom tempo que os negros abandonaram o rock'n'roll. Assim, é muito interessante ouvir uma banda como o TV on the Radio, formada majoritariamente por negros nova-iorquinos, que vai contra o consenso e investe no rock. A influência de toda a música negra criada desde os acordes revolucionários de Johnny Be Goode está presente de forma marcante no disco: ritmos quebrados, alto alcance vocal, metais providenciados pelo saxofonista do grupo Antibalas Afrobeat Orchestra etc. Mas, apesar de todos esses elementos, as canções ainda têm uma estrutura pop.
The XX - XX (2009): a primeira década dos anos 2000 revisitou os anos 80 à exaustão. Os XX não fizeram diferente, mas conseguiram fugir dos excessos daquela década. No primeiro disco da banda, claramente influenciado por The Cure, Joy Division, Bauhaus e outros grupos vestidos de preto, a banda optou por silêncios, riffsde guitarras curtos e duetos lascivos entre os vocalistas. Podia ter saído em 1983, mas foi lançado 26 anos depois. Por isso, é original.
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11.12.08
NME e Pitchfork - As definitivas de 2008
Finalmente saem as aguardadas listas da NME e Pitchfork (vide errata), os dos maiores gurus do indie mundial. Confesso que a da NME serviu pra lavar minha alma e tirar minhas dúvidas sobre a "questão MGTM", que abordei nos últimos tópicos. Com o melhor disco e três singles entre os top 5 (!!!) finalmente eles tiveram a consagração que mereceram. Dentre todas as listas que juntamos aqui, a da NME me pareceu a mais coerente e menos pedante. Grande destaque também para o TV On The Radio. E que venha 2009!
NME
1. MGMT - Oracular Spectacular
2. TV On The Radio - Dear Science
3. Glasvegas - Glasvegas
4. Vampire Weekend - Vampire Weekend
5. Foals - Antidotes
6. Metronomy - Nights Out
7. Santogold - Santogold
8. Mystery Jets - 21
9. Kings Of Leon - Only By The Night
10. Friendly Fires - Friendly Fires
Pitchforkmedia (errata: melhores capas de 2008)
1. Deerhunter - Microcastle / Weird Era Cont.
2. TV On The Radio - Dear Science
3. No Age - Nouns
4. Hercules And Love Affair - Hercules And Love Affair
5. Fleet Foxes - Fleet Foxes
6. DJ Rupture - Uproot
7. Fucked Up - The Chemistry Of Common Life
8. Vampire Weekend - Vampire Weekend
9. Cut Copy - In Ghost Colours
10. Portishead - Third
NME
1. MGMT - Oracular Spectacular
2. TV On The Radio - Dear Science
3. Glasvegas - Glasvegas
4. Vampire Weekend - Vampire Weekend
5. Foals - Antidotes
6. Metronomy - Nights Out
7. Santogold - Santogold
8. Mystery Jets - 21
9. Kings Of Leon - Only By The Night
10. Friendly Fires - Friendly Fires
SINGLES
1 MGMT, "Kids"
2 Glasvegas, "Geraldine"
3 Mystery Jets, "Two Doors Down"
4 MGMT, "Time To Pretend"
5 MGMT, "Electric Feel"
6 Metronomy, "Heartbreaker"
7 Friendly Fires, "Paris Is Burning"
8 MIA, "Paper Planes"
9 Kings of Leon, "Sex On Fire"
10 Vampire Weekend, "A-Punk"
Pitchforkmedia (errata: melhores capas de 2008)
1. Deerhunter - Microcastle / Weird Era Cont.
2. TV On The Radio - Dear Science
3. No Age - Nouns
4. Hercules And Love Affair - Hercules And Love Affair
5. Fleet Foxes - Fleet Foxes
6. DJ Rupture - Uproot
7. Fucked Up - The Chemistry Of Common Life
8. Vampire Weekend - Vampire Weekend
9. Cut Copy - In Ghost Colours
10. Portishead - Third
9.12.08
Melhores de 2008 (gaiotto)
Vou fazer isso aqui em forma de lista. Sempre tenho dificuldade em eleger O disco, A música e assim vai. O ano de 2008, seguindo os dois anteriores, foi exagerado no número de bandas que pipocaram pela imprensa como apostas fantásticas. E, como sempre, a grande maioria caiu no esquecimento ou nem chegou ao conhecimento aprofundado do público em geral. O que coloco aqui são as bandas e músicas que realmente passaram trocentas vezes pelo meu playlist durante o ano e todas comentadas por aqui anteriomente. Essas listas por aí têm um cheirinho de "nunca ouvir, mas gostei". Não?
MELHOR MÚSICA:
- "Kids", MGMT
- "Electric Feel", MGMT
- "Walking on a Dream", Empire of the Sun
- "Beatle George", Jupiter Maçã
- "Viva La Vida", Coldplay
- "DVNO", Justice
- "Shut up and let me go", The Ting Tings
- "2 Hearts", The Twelves
MELHOR ALBUM:
- "Oracle Spectacular", MGMT
- "We Started Nothing", The Ting Tings
- "Uma Tarde na Fruteira", Jupiter Maçã
REVELAÇÃO DE 2008: MGMT
DECEPÇÃO DE 2008: CSS
Melhores de 2008 (IV)
Primeiramente temos o duo She & Him, formado pela atriz Zooey Deschanel e o músico M. Ward, que se juntaram para lançar um belo disco encharcado de country. Em seguida, o mais belo single do ano, A&E, do Goldfrapp.
7.12.08
Melhores de 2008 (III)
Segue agora uma amostra dos novos álbuns do veterano Nick Cave e dos novatos do Beach House
4.12.08
Listas, listas e mais listas
As principais revistas do mundo soltaram suas listas dos melhores de 2008. Fizemos uma coletânea dos dez primeiros de cada uma e colocamos aqui pra vocês, mais os cinco indicados ao Grammy 2009 de melhor disco, que saiu hoje mesmo. Faltam só os indicados da NME, que tá segurando a peteca por enquanto. Antes, óbvio, meus comentários.

GRANDE VENCEDOR: FLEET FOXES (http://www.myspace.com/fleetfoxes) - Houve de fato um oba-oba sobre essa banda durante todo o ano. Um som tranquilo, bacana, bem no estilo new-folk, tão na moda. Mas sinceramente parece tanta coisa que, pra mim, perde muito o valor.
MAIOR ESQUECIMENTO: MGMT (http://www.myspace.com/mgmt) - Não entendi. Uma das bandas mais faladas e levantadas do ano foi simplesmente esquecida em TODAS as listas. Na minha opinião, a grande revelação de 2008. Tem gente que sustena que o disco é de 2007. Há divergências nos sites sobre a data de lançamento, mas mesmo que seja, é do finalzinho e não entrou obviamente nas listas do ano passado.
MAIOR AUSÊNCIA: Mallu Mulher. Puta mundo injusto, mêo! A menina que teve mais pageviews no Myspace no mundo não foi lembrada. Que triste.
Bom... vamos ao que interessa.
Uncut
1. Third - Portishead
2. Fleet Foxes - Fleet Foxes
3. Dear science - TV on the Radio
4. For Emma, forever ago - Bon Iver
5. Vampire Weekend - Vampire Weekend
6. The seldom seen kid - Elbow
7. Stainless style - Neon Neon
8. Dig!!! Lazarus, Dig!!! - Nick Cave & The Bad Seeds
9. Only by the night - Kings of Leon
10. 22 dreams - Paul Weller
Mojo
1. Fleet Foxes - Fleet Foxes
2. The age of the understatement - The Last Shadow Puppets
3. 22 dreams - Paul Weller
4. For Emma, forever ago - Bon Iver
5. Dig!!! Lazarus, Dig!!! - Nick Cave & The Bad Seeds
6. Stay positive - The Hold Steady
7. Glasvegas - Glasvegas
8. The Week That Was - The Week That Was
9. London zoo - The Bug
10. Home before dark - Neil Diamond
Q
1. Only by the night - Kings of Leon
2. Fleet Foxes - Fleet Foxes
3. Viva la vida or Death and all his friends - Coldplay
4. Vampire Weekend - Vampire Weekend
5. Glasvegas - Glasvegas
6. Rockferry - Duffy
7. Dear science - TV on the Radio
8. The seldom seen kid - Elbow
9. Consolers of the lonely - The Raconteurs
10. Dig!!! Lazarus, Dig!!! - Nick Cave & The Bad Seeds
Paste Magazine
1. She & Him - Volume One
2. Sigur Rós - Med sud i eyrum vid spilum endalaust
3. Vampire Weekend - Vampire Weekend
4. Bon Iver - For Emma, Forever Ago
5. Okkervil River - The Stand Ins
6. Fleet Foxes - Fleet Foxes
7. Girl Talk - Feed the Animals
8. Sun Kil Moon - April
9. Lucinda Williams - Little Honey
10. Deerhunter - Microcastle
GRAMMY 2009 (indicados a Melhor Album)
• Viva La Vida Or Death And All His Friends - Coldplay
• Tha Carter III - Lil Wayne
• Year of the Gentleman - Ne-Yo
• Raising Sand - Robert Plant & Alison Krauss
• In Rainbows - Radiohead
GRANDE VENCEDOR: FLEET FOXES (http://www.myspace.com/fleetfoxes) - Houve de fato um oba-oba sobre essa banda durante todo o ano. Um som tranquilo, bacana, bem no estilo new-folk, tão na moda. Mas sinceramente parece tanta coisa que, pra mim, perde muito o valor.
MAIOR ESQUECIMENTO: MGMT (http://www.myspace.com/mgmt) - Não entendi. Uma das bandas mais faladas e levantadas do ano foi simplesmente esquecida em TODAS as listas. Na minha opinião, a grande revelação de 2008. Tem gente que sustena que o disco é de 2007. Há divergências nos sites sobre a data de lançamento, mas mesmo que seja, é do finalzinho e não entrou obviamente nas listas do ano passado.
MAIOR AUSÊNCIA: Mallu Mulher. Puta mundo injusto, mêo! A menina que teve mais pageviews no Myspace no mundo não foi lembrada. Que triste.
Bom... vamos ao que interessa.
Uncut
1. Third - Portishead
2. Fleet Foxes - Fleet Foxes
3. Dear science - TV on the Radio
4. For Emma, forever ago - Bon Iver
5. Vampire Weekend - Vampire Weekend
6. The seldom seen kid - Elbow
7. Stainless style - Neon Neon
8. Dig!!! Lazarus, Dig!!! - Nick Cave & The Bad Seeds
9. Only by the night - Kings of Leon
10. 22 dreams - Paul Weller
Mojo
1. Fleet Foxes - Fleet Foxes
2. The age of the understatement - The Last Shadow Puppets
3. 22 dreams - Paul Weller
4. For Emma, forever ago - Bon Iver
5. Dig!!! Lazarus, Dig!!! - Nick Cave & The Bad Seeds
6. Stay positive - The Hold Steady
7. Glasvegas - Glasvegas
8. The Week That Was - The Week That Was
9. London zoo - The Bug
10. Home before dark - Neil Diamond
Q
1. Only by the night - Kings of Leon
2. Fleet Foxes - Fleet Foxes
3. Viva la vida or Death and all his friends - Coldplay
4. Vampire Weekend - Vampire Weekend
5. Glasvegas - Glasvegas
6. Rockferry - Duffy
7. Dear science - TV on the Radio
8. The seldom seen kid - Elbow
9. Consolers of the lonely - The Raconteurs
10. Dig!!! Lazarus, Dig!!! - Nick Cave & The Bad Seeds
Paste Magazine
1. She & Him - Volume One
2. Sigur Rós - Med sud i eyrum vid spilum endalaust
3. Vampire Weekend - Vampire Weekend
4. Bon Iver - For Emma, Forever Ago
5. Okkervil River - The Stand Ins
6. Fleet Foxes - Fleet Foxes
7. Girl Talk - Feed the Animals
8. Sun Kil Moon - April
9. Lucinda Williams - Little Honey
10. Deerhunter - Microcastle
GRAMMY 2009 (indicados a Melhor Album)
• Viva La Vida Or Death And All His Friends - Coldplay
• Tha Carter III - Lil Wayne
• Year of the Gentleman - Ne-Yo
• Raising Sand - Robert Plant & Alison Krauss
• In Rainbows - Radiohead
30.11.08
Melhores de 2008 (I)
Hora de começar esse clichê de fim de ano, não?
Minhas duas primeiras dicas de álbuns que merecem ser ouvidos:
The Stand Ins - Okkervil River
The Hungry Saw - Tindersticks
Minhas duas primeiras dicas de álbuns que merecem ser ouvidos:
The Stand Ins - Okkervil River
The Hungry Saw - Tindersticks
23.10.08
Discoteca BIFEcomXUXU - Rock Gaúcho
Eles odeiam o rótulo. Mas não tenho culpa de serem do RS e fazerem rock. Um rock fodido e fantástico, aliás, como não é feito em nenhuma outra parte do país. Enquanto as gravadoras mainstream e independentes continuam focando seu mercado no Eixo, eles continuam por lá soltando, ano a ano, um disco melhor que o outro. Se o público de hoje fosse tão receptivo ao estilo quanto era nos anos 80, certamente todos esses destaques aqui embaixo seriam itens obrigatórios na coleção de qualquer amante do gênero. São raras as pessoas que ouvem e não dizem imediatamente: "por que não conheci isso antes?". Sinto o maior prazer em ajudar a divulgar essas que são as bandas nacionais preferidas da minha existência. Divirtam-se!
JUPITER MAÇÃ – A SÉTIMA EFERVESCÊNCIA (1996)

Tomei contato com isso lá por 1997 ou 1998. Foi um susto. Como alguém poderia fazer aquilo e não ser um mega rock-star, em plena metade dos anos 90? Com arranjos altamente sofisticados de Marcelo Birck (um mito do RS) e um bendito potencial chicletento em cada uma das músicas, o primeiro disco desse projeto de Flávio Basso (ex-TNT e ex-Cascavelletes) fez com que eu parasse para olhar que estava sendo feito no underground brasileiro. Hits que viraram clássicos (“Um lugar do caralho”, “Miss Lexotan 6mg” e “Pictures and Paintings”) e hits que não viraram hits por motivos que só o Brasil explica (“As tortas e as cucas”, “Eu e minha ex”, “As outras que me querem” e o mantra-morrisoniano “Essência Interior”). Um arsenal de letra inspiradas e uma bem-sucedida digestão das influências de Syd Barrett, Jim Morrison, Mutantes, Arnaldo Baptista e a Jovem Guarda fizeram desse um dos melhores discos do rock nacional.
http://www.myspace.com/jupiterapple
WANDER WILDNER - BUENOS DIAS (1999)

Segundo álbum daquele que um dia chamaram de “punk brega”. Impulsionado pelo sucesso de “Baladas Sangrentas” e a regravação do Ira! para o hit “Bebendo Vinho”, Wander aparece com esse discaço recheado de ironia, sarcasmo, punk rock e baladas... sangrentas. Um disco que traz o hino “Quase um Alcoólatra”, além de “Refrões”, “Eu queria morar em Beverly Hills”, “Jesus Voltará” e “Minha vizinha” quase consegue bater a primeira posição do imbatível Júpiter Maçã.
http://www.myspace.com/wanderwildner
VIDEOHITS – REGISTRO SONORO OFICIAL (2001)

Sou absurdamente fanático por essa pérola em forma de crocância lançada pelo mestre Diego Medina e seu séqüito. Nessa época eu já era gente mais grandinha e lembro da bola levantada pela extinta Revista Bizz para a banda. Era tanta falação que resolvi dar uma chance e ganhei uma paixão. Recuso-me a apontar qualquer música em especial. Quem gosta desse disco é daqueles que sabe de cor e salteado a letra e os berros de cada uma das 14 cançonetas. Além de tudo, esse é o disco que fez todos os indiezinhos papagaiarem para todos os cantos que Ronnie Von era uma pérola perdida de psicodelia nacional.
BIDÊ OU B
ALDE – OUTUBRO OU NADA (2002)Depois de ganharem o prêmio de Revelação MTV com “Melissa” em 2001, muitos achavam que a vida desse suposto “one hit wonder” tinha acabado. Mas Carlinhos Carneiro, Leandro Sá, o maestro Leonardo Boff e o produtor mago-dos-magos Thomas Dreher voltaram com esse ambiciosíssimo “disco conceitual” (arrrrgh!, mas é verdade) em 2002. Uma pena não ter tido o sucesso de público que merecia. As faixas “Cores Bonitas”, “Microondas”, “Bromélias”, “Matelassê” e “Hollywood #52” são das melhores melodias já escritas no pop nacional.
http://www.myspace.com/bideoubalde
CACHORRO GRANDE – CACHORRO GRANDE (2001)
Conheci o disco e a banda pelo clipe de "Sexperienced", que vez ou outra passava na MTV, lá por 2001 ou 2002. Achei bacaninha as referências aos Beatles e tal, mas o que mais me chamou a atenção foi a levada porradeira do vocal e a guitarra estilo Hendrix, que impregnava na cabeça. Acabei encontrando o CD independente, produzido por... Thomas Dreher, na "Galeria do Rock" e risquei de tanto ouvir. Daqueles discos que dá prazer de conhecer faixa a faixa e ir descobrindo uma melhor que a outra. Além dos hits instantâneos ("Sexperienced", "Debaixo do Meu Chapéu" e o apogeu "Lunático"), traz o belíssimo rock de cabaré de "Lili" e o bluesão-garageiro "Dia Perfeito", presenças obrigatórias em todos os shows da banda.
http://br.myspace.com/cachorrogrande
CASCAVELLETES – ROCK 'A' ULA (1989)
Tudo que você entende por rock gaúcho começou aqui, tenho certeza disso. Com a sensacional trinca Flávio Basso-Nei Van Soria-Frank Jorge e performances absurdamente elétricas, a banda de moleques de menos de vinte anos conquistou as rádios gaúchas, depois do resto do Brasil e até trilha sonora de novelinha global (com "Nega Bombom"). Apesar da saída de Frank Jorge antes da gravação do disco (para se dedicar à Graforréia Xilarmônica) e da ausência do hit "Menstruada", o álbum é um míssel rock´n´roll inimaginável para o Brasil daquela época. Riffs marcantes e letras debochadas e non-sense estréiam aquilo que viraria a referência dos gaúchos anos depois. Impossível não ficar viciado pela história de "Jessica Rose" ou não imaginar Mick Jagger cantando e dançando "Eu Quis Comer Você". Destaque ainda para "Gato Preto" e "Lobo da Estepe", que abrem e fecham essa sementinha do rock gaúcho atual.
http://www.myspace.com/cascavelletes
1.9.08
Love Pop Suicide
Quem nunca foi a um bar e pediu ao cantor que tocasse Pearl Jam e ele, empolgado, emendou "Plush" a plenos pulmões. Nada mais frustrante para os fanáticos por ambas as bandas. E esse é o ponto: o STP até hoje é inexplicavelmente aproximado ao Pearl Jam, um dos parâmetros mais improváveis da história do rock comparado. Tudo bem, talvez os graves de Eddie Vedder e Scott Weiland sejam parecidos nessa música em específico, mas a distância das bandas é bem nítida para os que já se aventuraram a escutar mais de uma música de cada uma.
Se o primeiro disco dos STP, "Core", tenta flertar com o grunge de Seattle em algumas músicas, a obra definitiva deles, "Purple", mostra que o negócio da banda é mesmo uma
Conseqüência natural das analises superficiais, a comparação infantil acaba por menosprezar uma banda fantástica, formada por músicos incríveis e com discos recheados de hits pop. O segundo e o terceiro disco, respectivamente "Purple" e "Tiny Music", figurarão eternamente na lista dos meus melhores discos de todos os tempos. Fico sinceramente desapontado em ver que pouquíssimas pessoas um dia os pegaram para ouvir.
Mais triste que serem lembrados apenas por "Plush" é ver que os problemas pessoais com drogas de Weiland se destacaram mais nos últimos 10 anos do que qualquer coisa que a banda lançou. Enfim, uma daquelas clássicas bandas mal-degustadas.
http://www.myspace.com/stonetemplepilots
Pós-Post - Para os preguiçosos de plantão, faço as honrarias da casa e destaco um TOP 15 deles para defender tudo o que disse sobre a banda (tinha que ter dois primeiros lugares :) ):
1- Interstate Love Song (uma das músicas mais lindas de todos os tempos do mundo moderno)
1- Crackerman
2- Big Bang Baby
3- Trippin' In A Hole In A Paper Heart
4- Vasoline
5- Big Empty
6- Atlanta
7- Art School Girlfriend
8- Creep
9- Silvergun Superman
10- Adhesive
11- Still Remains
12- Meatplow
13- Seven Caged Tigers
14- Unglued
15- Lady Picture Show
21.5.08
Listas
Em livro recentemente lançado no Brasil, chamado “Como falar de livros que não lemos”, o francês Pierre Bayard disserta sobre a possibilidade que os interessados em literatura têm de discutir sobre a importância estética, histórica etc de obras sem nunca tê-las lidos. De fato, qualquer um minimamente interessado em literatura sabe o que significa a obra de Shakespeare ou James Joyce, mas talvez nunca tenha lido Hamlet ou Ulisses.
A crítica, na minha opinião, acaba atingindo um típico mal contemporâneo: a vontade (ou até necessidade) de tentar abarcar o máximo possível de cultura de forma ordenada. E aí surge uma instituição famosíssima na música pop: as listas de melhores discos, canções, compositores etc.
E, numa de minhas perambulações pela internet, encontrei o site Lists of Bests, que organiza diversas listas e, pasmem, calcula quão perto você está de completá-las. Descobri, por exemplo, que cumpri 39% da lista de melhores filmes da Time Magazine, e apenas 11% dos livros essenciais segundo jornal Guardian.
Para mim, este site simboliza bem esta necessidade que muitos temos de consumir o máximo possível de cultura, especialmente os “essenciais” de cada gênero artístico. Mas fato é, e isso é apontado no livro de Pierre Bayard, que acabamos perdendo muita coisa no caminho: esquecemos livros inteiros, quadros, discos etc. Sobram apenas fragmentos, ou mesmo meras sensações e opiniões sobre a obra.
Então, o essencial é o processo, não? Ou seja, aquele “impacto” que a canção causa, o prazer de ouvi-la. Ou mesmo aquela insistência em “entender” um disco mais difícil, que depois de algumas ouvidas se torna espetacular.
Concluo, portanto, que as listas são úteis e tal, e que vale a pena descobrir os “discos essenciais”. Mas sem esquecer do principal: gostar de ouvi-los.
A crítica, na minha opinião, acaba atingindo um típico mal contemporâneo: a vontade (ou até necessidade) de tentar abarcar o máximo possível de cultura de forma ordenada. E aí surge uma instituição famosíssima na música pop: as listas de melhores discos, canções, compositores etc.
E, numa de minhas perambulações pela internet, encontrei o site Lists of Bests, que organiza diversas listas e, pasmem, calcula quão perto você está de completá-las. Descobri, por exemplo, que cumpri 39% da lista de melhores filmes da Time Magazine, e apenas 11% dos livros essenciais segundo jornal Guardian.
Para mim, este site simboliza bem esta necessidade que muitos temos de consumir o máximo possível de cultura, especialmente os “essenciais” de cada gênero artístico. Mas fato é, e isso é apontado no livro de Pierre Bayard, que acabamos perdendo muita coisa no caminho: esquecemos livros inteiros, quadros, discos etc. Sobram apenas fragmentos, ou mesmo meras sensações e opiniões sobre a obra.
Então, o essencial é o processo, não? Ou seja, aquele “impacto” que a canção causa, o prazer de ouvi-la. Ou mesmo aquela insistência em “entender” um disco mais difícil, que depois de algumas ouvidas se torna espetacular.
Concluo, portanto, que as listas são úteis e tal, e que vale a pena descobrir os “discos essenciais”. Mas sem esquecer do principal: gostar de ouvi-los.
14.12.05
Melhores de 2005
A música pop, desde antes de Nick Hornby e as listas de "Alta Fidelidade", vive de ciclos anuais. E todos os fins de ano chovem listinhas com os melhores lançamentos, revelações e afins. Como sou um amante dessas listas, cá está a minha. Este ano, inclusive, pude me dar o luxo de elencar os melhores shows. Então, lá vão minhas escolhas:
1. The Secret Migration (Mercury Rev): produto de uma banda madura, empenhada simplesmente em fazer boas canções. Ótimas melodias, harmonias que vão da psicodelia de bandas como Love até o folk-country de Neil Young, além de uma infinidade de imagens e metáforas geniais infestando as boas letras do grupo.
2. Funeral (Arcade Fire): tá, o disco é do ano passado, mas só no começo desse ano que ele caiu na minha mão e eu ouvi direitinho. Esquivando-se das modas desse começo de século, como a revisita à New Wave ou o rock garageiro, esse octeto canadense usa uma infinidade de influências e instrumentos para criar uma massa sonora impecável, cortada por melodias e riffs grudentos. E eles ainda tocaram no Brasil!
3. Black Sheep Boy (Okkervil River): Will Sheff, líder dessa banda norte-americana, inspirou-se na história do compositor Tim Hardin para criar um álbum com ares country, mas permeado de instrumentos diferentes, como acordeões e trompetes, e guitarras saturadas na medida certa. Destaque para as letras do álbum, como os seguintes versos da canção "For Real": "Some nights I thirst for real blood, for real knives, for real cries. And then the flash of steel from real guns in real life really fills my mind."
4. You Could Have It So Much Better (Franz Ferdinand): ao invés de seguir a fórmula do genial disco anterior, o grupo de Alex Kapranos optou por investir em outros sons. O primeiro single, "Do You Want To" trocou os riffs insanos de "Take Me Out" por ótimas batidas dançamtes. Já em "Walk Away" há a invocação dos Smiths em uma balada cheia de melancolia e ironia: "And I'm not cold, I am old/At least as old as you are".
5. Clap Your Hands Say Yeah (Clap Your Hands Say Yeah): guiada pela voz desafinadíssima de Alec Ounsworth (algo entre Bob Dylan e Gene Ween), esse grupo de Nova York faz um indie-rock cheio de qualidade e originalidade. Além do mais, esta é mais uma daquelas bandas que soube usar muito bem o boca a boca virtual e a distribuição maciça de MP3 para garantir um lugar ao Sol.
Menções honrosas: Antony & The Johnsons (baladas tristes, com ecos da fase Berlin de Lou Reed), Kaiser Chiefs (dance, motherfucker, dance), Bloc Party (mais rock dançante), Raveonettes (Buddy Holly encontrando o Jesus and Mary Chain), Ryan Adams (voltou a calçar suas botinas e lançou um monte de discos novos), José Gonzales (folk-singer que coloca o queridinho Willy Manson no chinelo), Sufjan Stevens (baladas folk dedicadas ao estado de Illinois).

Arcade Fire
Shows:
1. Mercury Rev (Curitiba Rock Festival): amparando-se no repertório do último disco, "The Secret Migration", e nos hits dos álbuns anteriores, o grupo evocou a atmosfera folk-psicodélica de estúdio de forma primorosa. Vale ainda lembrar da performance teatral de Jonathan Donahue e das imagens projetadas ao fundo da banda, que se integravam perfeitamente às canções.
2. Flaming Lips (Claro que é Rock): mesmo quem nunca tinha ouvido a banda adorou o show. Teve tudo: bolha espacial, confetes, serpentinas, ursinhos de pelúcia, bexigas e demais esquisitices providenciadas por Wayne Coyne e sua mente fritada pelos anos de consumo de drogas. E não faltaram os hits da banda, como "Do You Realize?" e "She Don’t Use Jelly", os quais foram devidamente acompanhados dos covers de uma versão karaokê de "Bohemian Rapsody" e da bélica "War Pigs", do Black Sabbath.
3. Arcade Fire (Tim Festival): a perfeita vingança dos nerds. Um bando de canadenses esquisitos que conseguiram fazer violinos e acordeões soarem mais pesados que as guitarras dos Kings of Leon. Somente Iggy Pop conseguiu rivalizar a energia e presença de palco do grupo em sua apresentação carioca.
4. Wilco (Tim Festival): solos longos à la Neil Young, baladas certeiras e uma ou outra dose de experimentalismo distribuídas em duas horas de show. Com mais de uma década de estrada, Jeff Tweedy contou com sua experiência e o amplo repertório da banda para fazer uma das melhores apresentações do ano.
5. Iggy Pop (Claro que é Rock): ele é o Iggy Pop. Ele tocou sem camisa e com o cofrinho a mostra. Ele se enfiou no meio do público, arrumou encrenca com os seguranças e com a "fuckin’ MTV". E tocou "I Wanna Be Your Dog" duas vezes. Precisa mais?
1. The Secret Migration (Mercury Rev): produto de uma banda madura, empenhada simplesmente em fazer boas canções. Ótimas melodias, harmonias que vão da psicodelia de bandas como Love até o folk-country de Neil Young, além de uma infinidade de imagens e metáforas geniais infestando as boas letras do grupo.
2. Funeral (Arcade Fire): tá, o disco é do ano passado, mas só no começo desse ano que ele caiu na minha mão e eu ouvi direitinho. Esquivando-se das modas desse começo de século, como a revisita à New Wave ou o rock garageiro, esse octeto canadense usa uma infinidade de influências e instrumentos para criar uma massa sonora impecável, cortada por melodias e riffs grudentos. E eles ainda tocaram no Brasil!
3. Black Sheep Boy (Okkervil River): Will Sheff, líder dessa banda norte-americana, inspirou-se na história do compositor Tim Hardin para criar um álbum com ares country, mas permeado de instrumentos diferentes, como acordeões e trompetes, e guitarras saturadas na medida certa. Destaque para as letras do álbum, como os seguintes versos da canção "For Real": "Some nights I thirst for real blood, for real knives, for real cries. And then the flash of steel from real guns in real life really fills my mind."
4. You Could Have It So Much Better (Franz Ferdinand): ao invés de seguir a fórmula do genial disco anterior, o grupo de Alex Kapranos optou por investir em outros sons. O primeiro single, "Do You Want To" trocou os riffs insanos de "Take Me Out" por ótimas batidas dançamtes. Já em "Walk Away" há a invocação dos Smiths em uma balada cheia de melancolia e ironia: "And I'm not cold, I am old/At least as old as you are".
5. Clap Your Hands Say Yeah (Clap Your Hands Say Yeah): guiada pela voz desafinadíssima de Alec Ounsworth (algo entre Bob Dylan e Gene Ween), esse grupo de Nova York faz um indie-rock cheio de qualidade e originalidade. Além do mais, esta é mais uma daquelas bandas que soube usar muito bem o boca a boca virtual e a distribuição maciça de MP3 para garantir um lugar ao Sol.
Menções honrosas: Antony & The Johnsons (baladas tristes, com ecos da fase Berlin de Lou Reed), Kaiser Chiefs (dance, motherfucker, dance), Bloc Party (mais rock dançante), Raveonettes (Buddy Holly encontrando o Jesus and Mary Chain), Ryan Adams (voltou a calçar suas botinas e lançou um monte de discos novos), José Gonzales (folk-singer que coloca o queridinho Willy Manson no chinelo), Sufjan Stevens (baladas folk dedicadas ao estado de Illinois).
Arcade Fire
Shows:
1. Mercury Rev (Curitiba Rock Festival): amparando-se no repertório do último disco, "The Secret Migration", e nos hits dos álbuns anteriores, o grupo evocou a atmosfera folk-psicodélica de estúdio de forma primorosa. Vale ainda lembrar da performance teatral de Jonathan Donahue e das imagens projetadas ao fundo da banda, que se integravam perfeitamente às canções.
2. Flaming Lips (Claro que é Rock): mesmo quem nunca tinha ouvido a banda adorou o show. Teve tudo: bolha espacial, confetes, serpentinas, ursinhos de pelúcia, bexigas e demais esquisitices providenciadas por Wayne Coyne e sua mente fritada pelos anos de consumo de drogas. E não faltaram os hits da banda, como "Do You Realize?" e "She Don’t Use Jelly", os quais foram devidamente acompanhados dos covers de uma versão karaokê de "Bohemian Rapsody" e da bélica "War Pigs", do Black Sabbath.
3. Arcade Fire (Tim Festival): a perfeita vingança dos nerds. Um bando de canadenses esquisitos que conseguiram fazer violinos e acordeões soarem mais pesados que as guitarras dos Kings of Leon. Somente Iggy Pop conseguiu rivalizar a energia e presença de palco do grupo em sua apresentação carioca.
4. Wilco (Tim Festival): solos longos à la Neil Young, baladas certeiras e uma ou outra dose de experimentalismo distribuídas em duas horas de show. Com mais de uma década de estrada, Jeff Tweedy contou com sua experiência e o amplo repertório da banda para fazer uma das melhores apresentações do ano.
5. Iggy Pop (Claro que é Rock): ele é o Iggy Pop. Ele tocou sem camisa e com o cofrinho a mostra. Ele se enfiou no meio do público, arrumou encrenca com os seguranças e com a "fuckin’ MTV". E tocou "I Wanna Be Your Dog" duas vezes. Precisa mais?
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31.5.05
Não pare na pista!
A moda é o rock dançante. Sem dúvida a onda do momento são as bandinhas que misturam riffs colantes de guitarra com batidas que fazem todos mexerem seus esqueletos em qualquer pista ou festa. Por isso essa enxurrada de grupos (principalmente britânicos) que dissecam New Order e Gang of Four e tiram um som com uma roupagem nova e deixam uma impressão de "peraí, eu já ouvi essa batida antes!".
Na verdade, esse estouro começou lá atrás, com os primórdios do brit-pop, fim dos anos 80 e começo dos 90, com Stone Roses, Happy Mondays e Primal Scream, passando logo em sequência para a aparição do Pulp (que, apesar de ter rodado todo os anos 80, só conseguiu sucesso nos 90), Suede, Blur e Elastica. Todas essa bandas tinham em comum, além de serem inglesas, a mistura de guitarras barulhentas e distorcidas com elementos de dance music e melodias extremamente grudentas (uns mais e outros menos, mas com uma certa uniformidade).
Depois de um certo ostracismo, o rock dançante voltou a tona puxado pela nova leva de bandas indies que surgem como coelhos a cada dia, em consequência do sucesso inicial de Strokes e White Stripes, agora consolidado em Franz Ferdinand e Bloc Party.
E, para seu total deleite, esse blog preparou para você um set-list caprichado para ajudar a tornar suas festinhas mais embaladas, numa mistura de coisas novas e velhas, conhecidas e não tão conhecidas, sem qualquer pretensão:
1. LCD Soundsytem - Daft Punk is playing in my house
2. The Bravery - Honest Mistake
3. Tom Vek - C-C (You Set The Fire in Me)
4. Franz Ferdinand - Take me Out
5. Franz Ferninand - This Fire
6. Bloc Party - Banquet
7. The Killers - Somebody Told Me
8. The Rapture - I Need Your Love
9. The Futureheads - Decent Days and Nights
10. Hot Hot Heat - No, Not Now
11. Hot Hot Heat - Bandages
12. Human League - Don't You Want Me
13. Daft Punk - Technologic
14. Daft Punk - Around The World
15. New Order - Blue Monday
16. New Order - Bizarre Love Triangle
17. Chemical Brothers - Believe
18. New Order - Broken Promise
19. Pulp - Razzamatazz
20. Happy Mondays - Step on
21. Stone Roses - I Wanna Be Adored
22. Blur - Girls & Boys
23. EMF - Unbelievable
24. The Constantines - No Ecstasy
25. Soulwax - E-talking
26. Kigs Of Leon - The Bucket
27. Moloko - Fun For Me
Na verdade, esse estouro começou lá atrás, com os primórdios do brit-pop, fim dos anos 80 e começo dos 90, com Stone Roses, Happy Mondays e Primal Scream, passando logo em sequência para a aparição do Pulp (que, apesar de ter rodado todo os anos 80, só conseguiu sucesso nos 90), Suede, Blur e Elastica. Todas essa bandas tinham em comum, além de serem inglesas, a mistura de guitarras barulhentas e distorcidas com elementos de dance music e melodias extremamente grudentas (uns mais e outros menos, mas com uma certa uniformidade).
Depois de um certo ostracismo, o rock dançante voltou a tona puxado pela nova leva de bandas indies que surgem como coelhos a cada dia, em consequência do sucesso inicial de Strokes e White Stripes, agora consolidado em Franz Ferdinand e Bloc Party.
E, para seu total deleite, esse blog preparou para você um set-list caprichado para ajudar a tornar suas festinhas mais embaladas, numa mistura de coisas novas e velhas, conhecidas e não tão conhecidas, sem qualquer pretensão:
1. LCD Soundsytem - Daft Punk is playing in my house
2. The Bravery - Honest Mistake
3. Tom Vek - C-C (You Set The Fire in Me)
4. Franz Ferdinand - Take me Out
5. Franz Ferninand - This Fire
6. Bloc Party - Banquet
7. The Killers - Somebody Told Me
8. The Rapture - I Need Your Love
9. The Futureheads - Decent Days and Nights
10. Hot Hot Heat - No, Not Now
11. Hot Hot Heat - Bandages
12. Human League - Don't You Want Me
13. Daft Punk - Technologic
14. Daft Punk - Around The World
15. New Order - Blue Monday
16. New Order - Bizarre Love Triangle
17. Chemical Brothers - Believe
18. New Order - Broken Promise
19. Pulp - Razzamatazz
20. Happy Mondays - Step on
21. Stone Roses - I Wanna Be Adored
22. Blur - Girls & Boys
23. EMF - Unbelievable
24. The Constantines - No Ecstasy
25. Soulwax - E-talking
26. Kigs Of Leon - The Bucket
27. Moloko - Fun For Me
28. Pulp - Disco 2000
29. David Bowie - Let's Dance
30. David Bowie - Modern Love
31. Elastica - Connection
32. Prodigy - Firestarter
33. Wire - Three Girl Rumba
34. Killing Joke - Eighties
35. Blondie - Call me
36. Gang of Four - Natural's Not In It
37. Mylo - Drop The Pressure
38. The Rasmus - In the Shadows
39. Talking Heads - Psycho Killer
Falta muita coisa, eu sei. Tem coisa muito conhecida, eu sei. Mas esse é só um pequeno guia pra tenta ajudar você a fazer uma festinha mais divertida! Enjoy it! (E acrescente mais coisas nos comentários!)
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13.12.04
Lista de fim de ano! (atualizada: agora virou top 10!)
Não tem graça nenhuma escrever sobre música se não pudermos criar uma tradicional lista de fim de ano, onde falamos um monte de baboseiras para dizer que certos discos são legais. Ainda mais quando isso é mais fácil do que pensar em uma coluna bem elaborada...
Então, cá está o meu Top 10 (sim, consegui arrumar um número 10)!
1 – A Ghost is Born (Wilco): apesar de ainda trazer os ganchos pop que sempre caracterizaram as canções do líder da banda, Jeff Tweet, esse álbum, lançado após o aclamado “Yankee Hotel Foxtrot”, é um tanto quanto “difícil”. Criado após Jeff ter saído de um processo de reabilitação em virtude de seu vício em antidepressivos, o disco soa, em determinados momentos, como uma mistura dos enormes solos de Neil Young em “Everybody Knows this Is Nowhere” com as experimentações sonoras de um Sonic Youth. Até mesmo as letras das canções mais pop têm alguma densidade, sendo que algumas beiram o desespero puro e simples, como a faixa de abertura “At Least It´s What She Said” (“When I sat down on the bed next to you/You started to cry/I said, maybe if I leave, you'll want me/To come back home”). Um disco complexo, que vale a pena ser ouvido com atenção.
2 - Uh Huh Her (PJ Harvey): após o bem produzido “Stories From the City, Stories From the Sea”, de 2001, a deusa PJ Harvey retorna com um disco sujo, esquisito e pesado. Por cima de riffs blueseiros e guitarras saturadas PJ Harvey, despeja letras perfeitas que trazem imagens de navalhas, culpa, desespero e um puro e simples “foda-se”. Outro disco difícil de digerir, mas que possui uma qualidade evidente.
3 - Universal Audio (The Delgados): abandonando as orquestrações do disco anterior, “Hate”, os escoceses dos Delgados lançaram o álbum mais pop de sua carreira. As canções do disco mostram que o grupo sabe perfeitamente como criar boas melodias e riffs que desembocam em refrões fantásticos, como em “Everybody Come Down”. Mas, como bons escoceses que são, não abandonam canções melancólicas, como a belíssima “The City Consumes Us”.
4 - Smile (Brian Wilson): após 37 anos de abortar o projeto por causa de um surto psicótico, o ex-líder dos Beach Boys concluiu um dos mais lendários discos de todos os tempos. Unindo-se ao letrista Van Dyke Parks, responsável pelas letras surreais do disco, e a uma banda de músicos profissionais, o músico conseguiu um resultado perfeito. O disco, apesar de parecer inteiramente conectado, possui canções com texturas diversas e baseadas em uma grande diversidade de instrumentos, harmonias e melodias. Trata-se, inegavelmente, do trabalho de um gênio, como é fácil notar após a audição da lisérgica versão de “Good Vibrations” ou da fenomenal “Heroes and Villains”.
5 - Franz Ferdinand (Franz Ferdinand): um álbum dançante recheado de teclados oitentistas, guitarras modernas e letras espertas. Apesar da postura fashion e de todo o hype lembrarem outros contemporâneos, como os Strokes, o grupo tem uma identidade própria, e é tão bom quanto seus colegas. Não vai mudar a história do rock, mas é legal pra diabo.
6 - You're the Quarry (Morrissey): após alguns anos sem gravar, o ex-líder dos Smiths retorna com um disco impecável. Ao invés da tradicional melancolia, aqui impera a ironia, com Morrissey apontando sua metralhadora para os Estados Unidos, a Inglaterra ou os chatos do mundo. E também estão presentes as já tradicionais construções geniais que somente Morrissey consegue criar, como “my life is an endless succession of people saying goodbye”.
7 – Final Straw (Snow Patrol): deixando para trás o estilo demasiadamente indie que marcou os discos anteriores, os escoceses do Snow Patrol fizeram um dos álbuns mais pops do ano, cheio de refrões grudentos, belas melodias, letras bonitinhas e guitarras com a quantidade exata de distorção. Somente com muito talento é que uma banda conseguiria criar canções fantásticas com temas já batidos, como timidez, amor adolescente e brigas conjugais.
8 - Hot Fuss (Killers): outra banda que buscou sua inspiração nos anos 80, dando uma nova roupagem ao som calcado em sintetizadores e guitarras, criado pelo New Order, com canções que falam de androginia (“Somebody Told Me”), assassinatos passionais (“Jenny Was a Friend of Mine”) ou relacionamentos conturbados (“Mr. Brightside”).
9 - Dresden Dolls (The Dresden Dolls): um casal que faz uma música baseada em piano, voz e bateria, inspirando-se em Bertold Bretch e em cabarés da Alemanha da era do jazz só poderia ser um saco. Certo? Não! Com cançoes que lembram o glittler rock de T.Rex, Roxy Music e a fase Alladin Sane de David Bowie, e com letras ambíguas cantadas pela vocalista Amanda Palmer com um charmoso sotaque alemão, essa dupla lançou um dos discos mais legais do ano.
10 - You're a Woman, I'm a Machine (Death From Above 1979): uma dupla canadense que usa somente um baixo ultra distorcido e uma bateria insana para criar um turbilhão sonoro que faz jus ao nome. Perto desse duo, o White Stripes parece Sandy & Júnior...
Então, cá está o meu Top 10 (sim, consegui arrumar um número 10)!
1 – A Ghost is Born (Wilco): apesar de ainda trazer os ganchos pop que sempre caracterizaram as canções do líder da banda, Jeff Tweet, esse álbum, lançado após o aclamado “Yankee Hotel Foxtrot”, é um tanto quanto “difícil”. Criado após Jeff ter saído de um processo de reabilitação em virtude de seu vício em antidepressivos, o disco soa, em determinados momentos, como uma mistura dos enormes solos de Neil Young em “Everybody Knows this Is Nowhere” com as experimentações sonoras de um Sonic Youth. Até mesmo as letras das canções mais pop têm alguma densidade, sendo que algumas beiram o desespero puro e simples, como a faixa de abertura “At Least It´s What She Said” (“When I sat down on the bed next to you/You started to cry/I said, maybe if I leave, you'll want me/To come back home”). Um disco complexo, que vale a pena ser ouvido com atenção.
2 - Uh Huh Her (PJ Harvey): após o bem produzido “Stories From the City, Stories From the Sea”, de 2001, a deusa PJ Harvey retorna com um disco sujo, esquisito e pesado. Por cima de riffs blueseiros e guitarras saturadas PJ Harvey, despeja letras perfeitas que trazem imagens de navalhas, culpa, desespero e um puro e simples “foda-se”. Outro disco difícil de digerir, mas que possui uma qualidade evidente.
3 - Universal Audio (The Delgados): abandonando as orquestrações do disco anterior, “Hate”, os escoceses dos Delgados lançaram o álbum mais pop de sua carreira. As canções do disco mostram que o grupo sabe perfeitamente como criar boas melodias e riffs que desembocam em refrões fantásticos, como em “Everybody Come Down”. Mas, como bons escoceses que são, não abandonam canções melancólicas, como a belíssima “The City Consumes Us”.
4 - Smile (Brian Wilson): após 37 anos de abortar o projeto por causa de um surto psicótico, o ex-líder dos Beach Boys concluiu um dos mais lendários discos de todos os tempos. Unindo-se ao letrista Van Dyke Parks, responsável pelas letras surreais do disco, e a uma banda de músicos profissionais, o músico conseguiu um resultado perfeito. O disco, apesar de parecer inteiramente conectado, possui canções com texturas diversas e baseadas em uma grande diversidade de instrumentos, harmonias e melodias. Trata-se, inegavelmente, do trabalho de um gênio, como é fácil notar após a audição da lisérgica versão de “Good Vibrations” ou da fenomenal “Heroes and Villains”.
5 - Franz Ferdinand (Franz Ferdinand): um álbum dançante recheado de teclados oitentistas, guitarras modernas e letras espertas. Apesar da postura fashion e de todo o hype lembrarem outros contemporâneos, como os Strokes, o grupo tem uma identidade própria, e é tão bom quanto seus colegas. Não vai mudar a história do rock, mas é legal pra diabo.
6 - You're the Quarry (Morrissey): após alguns anos sem gravar, o ex-líder dos Smiths retorna com um disco impecável. Ao invés da tradicional melancolia, aqui impera a ironia, com Morrissey apontando sua metralhadora para os Estados Unidos, a Inglaterra ou os chatos do mundo. E também estão presentes as já tradicionais construções geniais que somente Morrissey consegue criar, como “my life is an endless succession of people saying goodbye”.
7 – Final Straw (Snow Patrol): deixando para trás o estilo demasiadamente indie que marcou os discos anteriores, os escoceses do Snow Patrol fizeram um dos álbuns mais pops do ano, cheio de refrões grudentos, belas melodias, letras bonitinhas e guitarras com a quantidade exata de distorção. Somente com muito talento é que uma banda conseguiria criar canções fantásticas com temas já batidos, como timidez, amor adolescente e brigas conjugais.
8 - Hot Fuss (Killers): outra banda que buscou sua inspiração nos anos 80, dando uma nova roupagem ao som calcado em sintetizadores e guitarras, criado pelo New Order, com canções que falam de androginia (“Somebody Told Me”), assassinatos passionais (“Jenny Was a Friend of Mine”) ou relacionamentos conturbados (“Mr. Brightside”).
9 - Dresden Dolls (The Dresden Dolls): um casal que faz uma música baseada em piano, voz e bateria, inspirando-se em Bertold Bretch e em cabarés da Alemanha da era do jazz só poderia ser um saco. Certo? Não! Com cançoes que lembram o glittler rock de T.Rex, Roxy Music e a fase Alladin Sane de David Bowie, e com letras ambíguas cantadas pela vocalista Amanda Palmer com um charmoso sotaque alemão, essa dupla lançou um dos discos mais legais do ano.
10 - You're a Woman, I'm a Machine (Death From Above 1979): uma dupla canadense que usa somente um baixo ultra distorcido e uma bateria insana para criar um turbilhão sonoro que faz jus ao nome. Perto desse duo, o White Stripes parece Sandy & Júnior...
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