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16.9.08

Indienejo

As bandas indies sempre foram associadas ao mercado independente e ao modo alternativo de divulgar seus discos e promover seus shows. Isso mais na América e na Europa, onde realmente há grande espaço para esse nicho musical. Aqui no BR, como já farta e chatamente explorado, a coisa funciona mais na base do tripé brodagem+patrocínio público+burrice mercadológica, o que faz dessas bandas eternas promessas não-cumpridas. Porém, se você notar bem, quem faz as vezes do indie "roots" aqui nestas terras, queira ou não, é essa nova e gigante safra de duplas do chamado "sertanejo universitário".

É impressionantemente igual ao que ocorre lá fora com as futuras mega-bandas indies. No começo tocam em palcos menores em rodeios, normalmente de graça, distribuem CDR´s de suas demos ao público e às rádios locais e participam de qualquer tipo de evento que lhes dê alguma espécie de divulgação, inclusive os mais constrangedores. Tudo em esquema precário, sem dinheiro, sem gravadora, sem mega-empresário, sem MTV e sem qualquer tipo de brodagem. Não há super-portais de internet que invistam na promoção disso nem jornalistas pop prontos pra dar aquela "alavancadinha" na carreira dos sujeitos. Tanto que eles demoram bastante a vender discos. Tudo vai na base da pirataria e a grana entra por causa dos vários e vários shows que fazem em cidades menores.


Além do esforço absurdo dessas duplas, a divulgação em massa e em progressão geométrica é feita pelos fervorosos fãs, que passam os CD´s gravados de mão em mão, até o ponto em que viram mega-duplas sertanejas. Foi assim com César Menotti & Fabiano e Victor & Léo e está sendo com Jorge & Mateus e João Bosco & Vinícius. Fora a inesgotável fila de espera das outras duplas, que só aumenta a cada dia.


Goste ou não da música desse pessoal, não há como negar que esse é o verdadeiro mercado alternativo brasileiro. Enquanto isso, as bandinhas de rock ainda tentam fazer mais um amiguinho importante na imprensa... Mallu Magalhães o novo-folk? Sou mais esses caras, viu...

9.6.08

Alzheimer?

Leonardo é o cantor mais popular na cidade de São Paulo. É o que indica a pesquisa divulgada pela Folha de ontem. A conclusão é óbvia e só uma: o paulistano (e o brasileiro) médio não ouve música. Ou, ao menos, não houve músicas novas. Outro dado leva ao mesmo resultado: a dupla mais citada é Zezé di Camargo & Luciano.

Apesar de manterem há anos suas posições entre os que mais vendem discos, tais artistas não são expoentes do mercado atual. Nem no próprio nicho sertanejo, recheado de novas e rentáveis duplas de rodeio como César Menotti & Fabiano, Victor & Léo e Edson & Hudson. Mesmo Bruno & Marrone nitidamente possuem um destaque maior que os líderes da pesquisa e estão em segundo na lista de duplas.


O segundo lugar individual é de Roberto Carlos. Nem minha mãe que é fanática consegue balbuciar uma música dele que tenha sido lançada nos últimos anos. Mas está lá e sempre estará. Chega a lembrar muito as pesquisas sobre marcas de sabão em pó e pasta de dente.


Um cruzamento mais profundo de dados talvez explique minha conclusão. Em números não atualizados <http://www.abpd.org.br/estatisticas_cd.asp>, quem mais consume música no Brasil são pessoas de 26 a 35 anos, da classe B e nível Superior incompleto. Leonardo e Zezé estouraram há cerca de 20 anos, quando essas pessoas estavam passando da infância para a adolescência e, assim como eu, sabiam todas as músicas da onda sertaneja daquela época. Só que a grande maioria simplesmente parou no tempo, como se nada mais tivesse acontecido desde então.

Assim como há 20 anos, vivemos um novo aeon do sucesso sertanejo. E a bizarra retro-referência dos paulistanos é sinal claro de que algo não vai bem no nosso mercado, mesmo em seu nicho historicamente mais rentável. E tudo isso em meio as supostas benesses trazidas pela internet e o aumento das opções ao consumidor.


Até porque esse pessoal é muito novo pra sofrer de Alzheimer musical.


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