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17.4.09

Wry - She Science


Nada mudou. É o que garante Mario Bross aos fãs logo no início de She Science, o “disco do retorno” do Wry. E de fato, apesar dos 7 anos na Inglaterra, a essência da banda não mudou. Talvez pisando mais nos pedais do shoegazing britânico e deixando um pouco para trás o indie rock americano, mas sempre tentando balancear as duas grandes influências que sempre guiaram a trajetória desta, que em minha mísera e parcial opinião, é a maior das bandas independentes que já surgiram por aqui.

Confesso que o disco não me pegou de primeira (como os bons discos normalmente não me pegam). Torci e ainda não coloquei de volta no lugar o nariz em relação às músicas em português. Não que tenha carteirinha do clube dos puristas, mas sou daqueles que acha que esse tipo de som fica mais agradável aos ouvidos na língua da rainha. De toda forma, vale como uma bela provocação. Algumas delas, como “Lábios Trêmulos” e a belíssima "Longitude", lembram-me o grande e finado Astromato, das únicas que conseguiu enfiar o português no indie rock com maestria.

Mas é “Disorder”, a terceira faixa, que sintetiza o espírito da banda: uma salada bem temperada de Dinossaur Jr. com Ride e pitadas generosas da memorável safra indie brasileira do começo dos anos 90. Turminha esta, aliás, que merecerá um disco-homenagem de seus pupilos ainda neste ano, certamente dos mais aguardados de 2009. E o olha que Mario Bross ainda promete lançar outro em julho, The Long-Term Memory of an Experience, que foi gravado simultaneamente e seria o complemento de She Science.

Outro destaque são as letras, que deixam um pouco de lado os temas abstratos dos trabalhos anteriores e se revelam um quase-diário de Bross, baleado pela mistura de solidão, distância e, ao que parece, uma desilusão amorosa. Nada que pretenda revelar um novo mestre da poesia brasileira, tampouco boçal e preguiçoso como a maioria das bandas que por aqui se lançam.

Fracassados, dizem alguns. Corajosos, afirmam outros. Todos tentam explicar o porquê do retorno ao Brasil, coisa que pra mim pouco ou nada interessa. Analisando friamente, a volta do Wry tem um efeito direto e extremamente positivo nessa combalida cena independente que temos hoje. Se já se podia dizer isso antes, agora com maior propriedade: é uma das únicas - senão a única - que literalmente não depende. Não depende de cena, não depende de patrocínio público, não depende de panela, não depende de gravadora, não depende de jornalista amigo e não depende de mercado hypado. Tem seu público cativo e faz os discos para ele.

Sem problemas se não agradarem o pessoal daqui. Kevin Shields, do My Bloody Valentine, põe a mão no fogo por eles.

Ouça o disco inteiro no MySpace da banda: http://www.myspace.com/wrymusic

Wry She Science Myspace indie brasileiro

8.3.09

Prodigy - Invaders Must Die

Fruto da geração rave britância, o Prodigy surgiu para o mundo no meio dos anos 90 como o elo perdido entre a música eletrônica e o rock pesado, chamando a atenção dos adolescentes roqueiros xiitas da época para a cena (eu incluído). Misturando batidas techno (no sentido técnico do termo) com pesadas influências de punk rock e metal, a banda liderada por Liam Howlett invadiu a MTV com os clássicos "Firestarter", "Breathe" e "Smack My Bitch Up". Sentindo a ressaca do sucesso e talvez constrangidos com a oportunista constatação de Lulu Santos ("o Prodigy é mais influente que os Beatles") sumiram por longos anos, até soltarem um quase ignorado disco em 2004 (culpa do centralismo de Howlett).

Voltando a engraxar adequadamente as máquinas, o Prodigy retorna agora com um ousado disco de altíssimo nível musical. Consertando um antigo defeito, o album soa fechado do começo ao fim, repleto de hits, sem dar a entender que há músicas apenas para "tapar buraco", o que era nítido nos outros trabalhos (e como a própria banda assume).

Nota-se claramente o resgate da dance music old school, como na faixa "Warrior´s Dance" (que resgata a perdida "Take me Away", do True Faith), e a valorização dos sintetizadores e samplers como nunca haviam ousado fazer. A batida techno mascada, característica da banda, continua em destaque, mas agora gostosamente permeada por elementos pop.


Outro grande destaque do disco é a agressivíssima faixa "Run With The Wolves", uma quase música do Queens of the Stone Age, com a marcante participação do mito Dave Grohl, que pediu a Liam para gravar as baquetadas.

Ainda, tentando trazer seu som para um formato mais digerível nos anos 00, Howlett convocou James Rushent, do Does It Offend You, Yeah?, para co-produzir as absurdamente frenéticas "Omen" e "Invaders Must Die", outras duas faixas de enorme destaque e, não por acaso, os dois primeiros singles, respectivamente.

Em tempos de nu-rave os tiozinhos do Prodigy ensinam para a molecada o jeito certo de fazer as pessoas mexerem os esqueletos. E pelo jeito ainda agradam MUITO, já que o disco estreiou nessa semana na parada da Billboard em terceiro lugar, nos EUA, e em primeiro lugar no Reino Unido, desbancando do trono o Kings of Leon e deixando a queridinha Lily Allen para trás. E isso não é pouco.




25.9.08

TV on the Radio - Dear Science

Como devem saber muito bem, boa parte da linguagem roqueira foi criada por músicos negros como Chucky Berry, Little Richard e Bo Diddley. Depois o estilo foi amplamente dominado por jovens músicos brancos, que se encarregaram, inclusive, de contribuir em estilos originariamente negros, como o blues. E o mesmo pode ser dito em relação ao soul, funk e, ainda com certos limites, ao hip-hop.
Assim, é muito interessante ouvir uma banda como o TV on the Radio, formada majoritariamente por negros nova-iorquinos, que vai contra o consenso e investe no rock. A influência de toda a música negra criada desde os acordes revolucionários de Johnny Be Goode está presente de forma marcante no disco: ritmos quebrados, alto alcance vocal, metais providenciados pelo saxofonista do grupo Antibalas Afrobeat Orchestra etc.
Mas, apesar de todos esses elementos, as canções ainda têm uma estrutura pop. É, portanto, um disco imperdível para quem quer ouvir algo diferente dentro da mesmice branca do indie rock.



5.10.06

Melodias distantes

A frente de uma paisagem desolada e amarelada, duas moças com traços eslavos e roupas não muito comuns. Ambas estão sentadas em um veículo totalmente desprovido das tradicionais curvas presentes nos modernos modelos ocidentais. Na placa do carro lê-se a sigla RUS, que pode ajudar a desvendar a origem da fotografia.
A imagem descrita é a capa de "Gulag Orkestar", nome do primeiro álbum do Beirut, projeto executado por um jovem norte-americano de 20 anos chamado Zach Condon e produzido por Jeremy Barnes, ex-Neutral Milk Hotel. E a arte desse disco tem muito a ver com o som que, pelas mãos do menino prodígio por trás do disco, que cuida das guitarras, trompetes, ukulelês, acordões etc, traz para o indie rock muitos elementos musicais do leste europeu , garantindo um ar "estranho" ao disco e catapultando-o para longe do rock independente atual, saturado de bandas influenciadas pelo pós-punk.



Capa de "Gulag Orkestar", primeiro álbum do Beirut.


E nessa mesma linha temos ainda o DeVotchKa, outra banda norte-americana que mescla indie rock com estilos estranhos, como musica cigana ou de mariachis mexicanos, resultando em canções altamente melancólicas e com harmonias bem originais.
Não acredito, no entanto, que alguma dessas tenha, efetivamente, ido a fundo nesses estilos musicais tão estranhos ao ocidente. Na realidade, parece mais que o rock está tão saturado de velhas formas, derivada sempre de meia dúzia de artistas consagrados há 30 ou 40 anos, que mesmo um garoto norte-americano, munido de uma conexão de Internet - a maior parte da divulgação do álbum do Beirut ocorreu antes mesmo de seu lançamento -, uma pilha de instrumentos e alguma influência minimamente excêntrica é capaz de dar ao ouvinte algo absolutamente diferente da grande maioria do que está sendo produzido por seus contemporâneos.
E até, quem sabe, essa falsa sensação de estar ouvindo canções criadas genuinamente por esses "povos" aparentemente tão distantes.

Onde ouvir:

DeVotchKa - http://www.myspace.com/devotchkamusic
Beirut - http://www.myspace.com/beruit

23.7.06

Black Francis? Não, Frank Black

Todo mundo que conhece os Pixies sabe quem é Black Francis. Aquele sujeito gordinho que liderou uma das bandas mais interessantes do rock alternativo, misturando imagens bizarras, letras em espanhol, barulheira e melodias, criando um estilo que influenciou incontáveis bandas na década de 90 (como Nirvana e Radiohead, só para ficar nas mais bem sucedidas).

Após o fim dos Pixies, Frank Black (e não mais Black Francis) seguiu numa carreira solo irregular junto com seus Catholics, tendo que agüentar o sucesso momentâneo de sua ex-parceira de banda Kim Deal junto das Breeders. Mas anos depois, quando nem as Breeders estavam mais no mapa da música pop, os Pixies retornaram numa bem sucedida turnê mundial, deixando todos os fãs a espera de um disco novo.


No entanto, até agora o disco não saiu. Felizmente, isso não impediu Frank Black de continuar com sua carreira solo que, após tantos anos, atingiu uma maturidade que o permitiu criar dois álbuns fantásticos: “Honeycomb” (de 2005) e o recém lançado “Fast Man, Raider Man”, ambos gravados em sessões curtas nos intervalos da turnê com os Pixies.

Nesses lançamentos, ao invés de tentar emular a fúria dos Pixies, Frank Black aceita o peso dos anos e opta por canções com os pés fincados no country e no folk. E para fazer um serviço bem feito, foram convocados diversos músicos veteranos de Nashville para a gravação. Sujeitos que, nos anos 60, criaram o que se convencionou chamar de folk-rock e country-rock. Basta dizer que muitos dos discos clássicos de Bob Dylan foram gravados exatamente da mesma forma e com os mesmos tipos de músicos.

O resultado é o melhor possível, com canções maduras, construídas com belíssimos arranjos e encharcadas de melancolia, sendo a prova cabal que Frank Black é mais do que um gordinho que adora (adorava?) berrar.

MP3s:

Strange Goodbye ("Honeycomb")
Fitzgerald ("Fast Man, Raider Man")

28.4.06

Pearl Jam - novo disco

Esqueça o Eddie Vedder fanfarrão e bonachão dos shows no Brasil. O disco novo do Pearl Jam, a ser lançado oficialmente no próximo dia 02 de maio, faz sangrar o lado panfletário de um vocalista/letrista que se perdeu em lugares comuns e brados anti-belicistas bobos e pueris, que seriam relevados se esse fosse um lançamento do System of a Down.

O novo trabalho, o primeiro fora do selo Epic, cheira mofo mesmo antes de ser lançado, insinuando ser um mero retalho de letras e canções mal aproveitadas no último álbum, "Riot Act", de 2002. O hiato de mais de 3 anos desde o último lançamento é suprimido pela temática das letras, que, em sua grande maioria (7 das 13 músicas) tratam de guerra, Bush, soldados e falta de amor no mundo. O que faz pensar que Vedder escreveu mais de 100 canções na época dos atentados de 11 de setembro e apenas descansou nos últimos anos (aliás, jogue no lixo resenhas como a publicada no site da Rádio "Rock" 89 e do Terra, que dizem que o letrista deixou de lado a temática política das canções no novo disco - confira aqui e aqui).

Abrindo com "Life Wasted", cuja introdução remete inevitavelmente a "Search And Destroy" do Stooges, a hemoptise de alusões ao Iraque, Afeganistão, Irã e Palestina é notável e chata. Já a segunda faixa e single de lançamento, "World Wide Suicide", trás diversas alusões ao tema, como "It's a shame to awake in a world of pain/What does it mean when a war has taken over" e "Medals on a wooden mantle/Next to a handsome face/That the president took for granted/Writing checks that others pay". A panfletagem prossegue em "Marker in the Sand" ("Now you got both sides claiming killing in god's name/But god is nowhere to be found, conveniently"), "Gone" ("No more upset mornings/No more trying evenings/It's the American Dream I am disbelieving") e, ainda, em "Army Reserve" ("She can feel this/War on her face/Stars on her pillow/She's folding in darkness/Begging for slumber"). Nem a bela "Parachutes" escapa da tropega ânsia pacifista de Vedder ("Wish the world could go again with love/One can't seem to have enough")

O discurso embolorado ainda dá lugar a uma canção "homenagem" ao proletariado (!!!), bem à moda Bruce Sprigsteen, em Unemployable ("Well his wife and kids' asleep but he's still awake/On his brain weighs the curse of thirty bills unpaid"), que também faz lembrar o andamento de diversas músicas do último disco.

Mas, em meio à enxurrada política do vocalista, duas belas canções conseguem emergir e se destacar pela singeleza das harmonias e sutileza poética das letras. É o caso de Come Back ("Every night I'm waiting for/The real possibility that I may meet you in my dreams/Sometimes you're there and you're talking back to me/Come the morning I could swear you're next to me") e Inside Job ("Underneath this smile lies everything/All my hopes and anger, pride and shame"), não coincidentemente as duas últimas faixas do disco.

Musicalmente, o disco remete aos discos com pegadas mais "punk-rock", como "Vitalogy", momentos de "No Code" e "Binaural" e às experimentações iniciadas em Riot Act, com exceção das citadas canções finais, melancólicas e dramáticas, numa levada em que Vedder é mestre.

Resta esperar que alguém cutuque o gênio por trás desses discursos tolos e mal-elaborados, para que Vedder interrompa sua "BONOficação" desastrosa e o Pearl Jam não acabe virado uma mistura insossa e desagradável de U2 e Rage Against the Machine.

5.4.06

Arte bruta

Corro o risco de estar sendo reducionista demais, mas agrupo a grande maioria das bandas “relevantes” de rock hoje em dia em dois bandos. De um lado temos aqueles vestidos de preto e gravatinhas, usando lápis de olho e cantando sobre temas emotivos e totalmente lugar comum. Do outro, os moderninhos despejando rios e rios de cinismo e romantismo amargo. Mas, no meio de tudo isso, surge o Art Brut, um grupo de inglês novíssimo que despontou em 2005 como ótimo “Bang Bang Rock and Roll”,um dos melhores lançamentos do ano passado.
As letras, apesar da aparência estúpida e dos temas fúteis (como paixões platônicas, namoradas e, hmm, “inaptidão sexual”), escondem uma sagacidade e inteligência sem rivais, com letras de uma ironia sem igual desde os Smiths. Logo na abertura o vocalista Eddie Argos usa sua voz rasgada para ofender todo o glamour rocker em “Formed a Band”: “I want to be the boy/The man/Who writes the song/That makes Israel and Palestine/Get along”. E ele continua o tiroteio em “Bang Bang Rock’n’Roll”, logo após ofender os deuses do Velvet Underground: “I don't want a girl that's with the band/I just want a girl that's gonna hold my hand/No more songs about sex, drugs and rock and roll/It's boring!”.


Art Brut


E as canções de amor não deixam por menos. Na melhor faixa do disco, “Emily Kane”, Argos narra a história de um rapaz que, apesar de ter sido chutado por uma namorada há 10 anos, 9 meses, 3 semanas, 4 dias, 6 horas, 13 minutos e 5 segundos, nunca esqueceu a moça. Então, como intuito de encontrá-la, escreve uma canção de rock para que crianças em ônibus escolares cantem o nome da amada por aí. Lindo! A ironia também aparece escondida em “Good Weekend”, na qual um sujeito festeja o fato de ter arrumado uma namorada: “Got myself a brand new girlfriend/So we went to the cinema/We came home from the cinema/We went through the front door/Up the stairs/Through her bedroom door/Onto the bedroom floor/I've seen her naked twice!”.
E todas as letras estão devidamente amparadas por riffs incendiários, baixo e bateria dançantes e os vocais espetaculares de Argos, cuja fúria lembram um Johnny Rotten criado em uma escola de arte inglesa. Enfim, uma banda que, ao contrário da esmagadora maioria, não se resume a um single ou a musiquinhas românticas e cínicas.
É rock inteligente em estado bruto.

29.3.05

Mercury Rev - The Secret Migration


Depois de um bom tempo enfurnados em um estúdio caseiro, o Mercury Rev inaugurou o ano pop com o lançamento de “The Secret Migration”, o qual já foi logo elogiadíssimo pela mídia especializada.
Dentre todos esses elogios, um deles me chamou muito a atenção: a comparação que a revista Uncut fez do disco com o clássico do Pink Floyd “The Dark Side of the Moon”. Segundo o jornalista, com o “The Secret Migration” a banda teria criado “seu grande álbum sobre o ciclo-da-vida, seu próprio ‘The Dark Side of the Moon’ – contudo, aquele termina com esperança e luzes”.
Bom, eu tenho uma certa relutância em engolir idéias como “álbuns conceituais”, e não acho que o Dark Side seja o melhor trabalho do Pink Floyd. Acho até que foi ali que a banda começou a decair. Mas esse é outra história. De qualquer modo, em tese, o disco do Pink Floyd teria a proposta de enfrentar as grandes dores da vida moderna, como a ganância, a fugacidade do tempo e, acima de tudo, a loucura.
Não há dúvidas que o disco do Pink Floyd não termina com esperança e luzes: versos como “and you run and you run to catch up with the Sun, but it’s sinking/and racing around to come up behind you again” (“Time”) ou “you shout and no one seems to hear” (“Brain Damage”) deixam bem expostas as feridas que o letrista Roger Waters se propôs a explorar. E, musicalmente, é um disco grandioso, recheado de solos e efeitos tecnológicos avançadíssimos para a época do disco.
O Mercury Rev já foi muito comparado aos seus ancestrais do rock progressivo, graças aos arranjos complexos e o virtuosismo da banda. Contudo, ao contrário de Yes e companhia, o Mercury Rev aprendeu a condensar toda essa grandiosidade em canções pops de 3 ou 4 minutos, muitas delas seguindo as fórmulas clássicas de refrão-verso grudento-solo legal. Mas, apesar dessa fórmula simples, o grupo não abre mão de orquestrações e paredes sonoras ao melhor estilo Phil Spector, que dão ao grupo um som que vai do alt-country à psicodelia barroca dos Zombies.




E logo na temática do álbum já vejo uma certa diferença entre os dois discos. Enquanto o “Dark Side of the Moon” concentra-se na vida urbana para analisar as chagas do homem moderno, “The Secret Migration” parte de várias imagens bucólicas – flores, a chuva capturada pelas folhas, florestas cheias de perigo, o vento do outono – para tratar de assuntos bem mais minimalistas.
Na primeira canção, “Secret for a Song”, a banda une a estética guitarrística dos Pixies a uma linha de baixo serpenteante e um belo arranjo de piano. Apesar da canção começar com imagens de um crepúsculo e de “violetas abrindo suas pálpebras para o Sol”, o vocalista Donahue logo afirma: “I told you where we're goin' girl/We're off for a dark country ride”. Aqui começa o lado negro da Lua citado explicitamente pelo Pink Floyd, mas que fica escondido em imagens inofensivas no álbum da banda americana.
Em “Vermillion” o grupo cria uma certa atmosfera de calma com um piano e mais imagens naturais, antes que tudo deságüe em um empolgante refrão que traz os versos “Ooh I know love sounds impossible/Some words are just so hard to say/And there's times you feel unlockable/An' all you ever want/Is someone to try...to open up...and find a way in”.
Mas a grande estocada do disco está na canção “My Love”. Um belíssimo arranjo de cordas cria o ambiente perfeito para versos sobre estações do ano, conversas pela madrugada e a história de Maria Madalena fugindo para a França com seu filho (?!?). Tudo é tão perfeitamente estruturado que o refrão aparentemente piegas (“I know I left you...alone too much/But I know I need you here...my love/I never thanked you...enough/I could've given you...my love”) conseguem partir o coração de qualquer fã de gangsta rap.
Portanto, ao fim do disco não consigo enxergar luzes. Assim como seus antecessores ingleses, o Mercury Rev fala sobre feridas. Contudo, aqui elas estão em pequenas fraturas escondidas por trás de algo absurdamente lindo.

9.3.05

Rocky Votolato - Suicide Medicine





Ele não é conhecido, ele não é famoso, ele não pertence ao catálogo de nenhuma grande gravadora. Mas ele é foda. Texano de nascimento e agregado ao efervescente mundo musical de Seattle, Rocky Votolato iniciou sua carreira na obscura banda Waxwing, em 1996, um projeto que não proporcionou maiores honrarias. Percebendo a discrepância entre a expressão de suas letras e o som produzido pela banda, Rocky optou por procurar uma nova textura, mais calma e intimista, baseada na bela interação de sua voz, suas letras e o violão. Assim, em 1999, iniciou sua carreira-solo, com um disco que levava apenas seu nome como título, despejando canções que, tempos depois, iriam ser enquadradas naquilo que a imprensa musical classificou como “alt-country” (aliás, que rótulo tosco!).


Nesse terceiro trabalho, Votolato chega ao ápice de seu lirismo, conseguindo reunir um grande acervo de músicas potentes e letras que impressionam pelas imagens e sentimentos expressados, passando da revolta quase panfletária (“Prison is Private Property”) a uma tristeza e melancolia que chegam a dar dó (“Alabaster” e “Automatic Riffle”). Por trás de suas composições e de seu voz-e-violão está uma banda de apoio formada por Casey Fobert (do Pedro The Lion), Seth Warren (do Red Stars Theory) e Matt Johnson (do Roadside Monument) e a produção de Chris Walla, que já trabalhou com o Death Cab for Cutie.


Certamente a maior marca de todas as faixas é a força empregada por Votolato na interpretação de suas letras, dando ênfase ao seu belo texto, que traz pérolas como em “Suicide Medicine” (“Oh god I love you / I mean forever / I left my body behind to break the news / looks like it's over / please remember all of the things I never got a chance to say / like you look smashing in your fourth grade picture the one that we hung by the door / in our house that was so beautiful / there in our little home”) e na mais bela canção do disco, “Automatic Rifle” (“The night I turned 25 it was legos on the floor / it seemed like a safe enough game / for a man to play with his daughter / an automatic rifle and a bullet through the window / and the troops are satisfied that justice had been delivered”). Vale observar que Rocky deixa expresso um lirismo violento, repleto de imagens fortes, como em “The Light and The Sound” (“If I have to crack open your skull with my fist/ I´ll let the light and the sound escape”), “Death-Right” (“I´ve seen men wallow in fear/ Inaction acts as a blade across the throat”) e “Prison is Private Property” (“But I´d rather starve than be a whore for an
empty living
”).



É nesse ponto que aparece o grande diferencial de Votolato em relação a seus pares de estilo: sua letra não se baseia apenas no romântico estado de sofrimento amoroso ou de depressão melancólica. Traz também, e de maneira muito forte e recorrente, versos cortantes e agressivos, acenando com cenas e vivências chocantes, num “realismo” (aqui como oposição ao “romantismo”) que destoa do genericamente produzido no gênero. Por isso, talvez, a relutância de Rocky em ser associado a bandas como Dashboard Confessionals e Bright Eyes. Como ditto por ele em entrevista: “Whoever is the big deal, that´s sort of what the smaller artists with na acoustic guitar will be compared to. Four years ago, everyone said I was like Elliot Smith. That´s the easy and lazy thing to do, but that´s always gonna happen and it doesn’t bother me. I don´t care. If people really wanna listen to my record they´ll be able to hear the differences. I just don’t think it´s woth losing any sleep over”.

O que se pode dizer é que o resultado do disco insere Votolato com destaque no grande rol dos artistas do “alt-country” que começam a despontar, como Damien Rice, Damien Jurado, David Gray e Pernice Brothers, ao mesmo tempo em que trás reminiscências de Jeff Buckley e Paul Westenberg, isso sem falar em Nick Drake e todos os folk-men (existe essa expressão?) dos anos 60 e 70. Vá atrás, vale a pena.

23.10.04

Syd Barrett - The Madcap Laughs



1 Terrapin (5:04)
2 No Good Trying (3:26)
3 Love You (2:30)
4 No Man's Land (3:03)
5 Dark Globe (2:02)
6 Here I Go (3:11)
7 Octopus (3:47)
8 Golden Hair (1:59)
9 Long Gone (2:50)
10 She Took a Long Cold Look (1:55)
11 Feel (2:17)
12 If It's in You (2:26)
13 Late Night (3:10)


As risadas do louco. Título sinistro que descreve fielmente o que se passa nesse disco: o deboche do louco em relação à sua própria insanidade, a auto-ironia de um artista que acabou reconhecido mais por seu desequilíbrio mental - ocasionado por consumo excessivo de LSD - do que pela grandiosidade de sua obra. São comuns referências como "o louco que fundou o Pink Floyd" ou "o lesado que, de tanto LSD, virou um vegetal humano". Puro preconceito de quem não se preocupou em analisar a parte musical de sua carreira solo.

Nascido Roger Keith Barrett, Syd integrou a formação original do Pink Floyd, tendo, inclusive, nomeado a banda sob inspiração de dois músicos de blues que apreciava: Pink Anderson e Floyd Council. Em 1967 é lançado " The Piper At The Gates Of Dawn", primeiro disco da banda e uma obra quase autoral de Barrett. As canções chamavam atenção por seu embalo "viajante" e pelo teor das letras, quase sempre sem sentido algum, como em "Astronomy Domine": "Lime and limpid green, a second scene/A fight between the blue you once knew/Floating down, the sound resounds/Around the icy waters underground/Jupiter and Saturn, Oberon, Miranda/And Titania, Neptune, Titan/Stars can frighten".

Esse primeiro disco coincide com o crescimento da cena hippie, onde a mistura de temas esotéricos, música espacial, non-sense e abuso de drogas lisérgicas dominavam a composição das canções, sob o pretexto de criar novas texturas musicais e ampliar os limites do inconsciente.

Porém, Barrett abusou demais no experimentalismo, consumindo excessivamente LSD e Madrax, afetando suas performances em shows, a composição de novas músicas e mesmo o convívio em sociedade. Prova disso foram as várias entrevistas em que o músico ou falava ininterruptamente sobre assuntos desconexos ou se limitava apenas a olhar fixamente para o entrevistador de maneira psicótica, sem nada responder. Também os shows da banda foram ficando cada vez mais prejudicados, com Syd tocando por horas apenas um único e longo acorde, esquecendo-se de cantar e de acompanhar o andamento das músicas.

Essa situação degradante e patética fez com que em março de 1968 o músico se desligasse da banda, permanecendo, teoricamente, apenas como compositor, o que nunca aconteceu de fato. Há algum tempo a banda já contava com outro músico fazendo sua parte nos shows, Dave Gilmour, que foi imediatamente integrado como membro oficial.

A saída do Pink Floyd fez com que Barrett se enfurnasse em seu apartamento, pintando quadros e compondo musicas absurdamente fora dos padrões comerciais da época, com andamento e melodia descompassados, frases totalmente sem sentido e temas inusitados saídos de sua mente comprometida pelo uso continuado e abusivo de drogas lisérgicas.

O resultado dessa fase é "The Madcap Laughs", de 1970, seu primeiro disco solo, fundado num estilo exótico (estrambótico?) e único, com melodias, levadas e letras nunca antes vistas, solos fora de tempo, invertidos, tudo numa linguagem caótica cujo resultado era, impressionantemente, coerente e original. O disco teve parte da produção feita pela dupla Gilmour (que tocou baixo e guitarra) e Waters, do Pink Floyd, e parte pelo produtor da Harvest Records, Malcom Jones.

As seções de gravação foram marcadas pela estranheza dos outros músicos em relação ao estado mental de Barrett, que, de acordo com os próprios, "parecia estar num mundo totalmente a parte do resto das pessoas" , falando coisas sem sentido algum e propondo construções musicais bizarras. O que os deixava mais atônitos é que aquilo que para eles era desprovido de qualquer sentido era algo plenamente razoável e racional para Syd, que insistia em compor daquela maneira, conseguindo prever mentalmente que solos de guitarra aparentemente fora de tempo se encaixariam perfeitamente às canções quando invertidos (!).
Apesar de toda essa insanidade, o disco é marcado em sua maioria por letras de amor, obviamente ao modo Barrett, como em "Terrapin" ("I really love you and I mean you/the star above you, crystal blue/Well, oh baby, my hairs on end about you"), "Love You" ("Oh, you dig it, had to smile just an hour or so/(are) we in love like I think we be?/It Ain't a long rhyme/It took ages to think/I think I'll hurl it in the water, baby") e "Here I Go" ("This is a story 'bout a girl that I knew/she didn't like my songs/and that made me feel blue/she said: "a big band is far better than you"). A mente atabalhoada pelas drogas é revelada em "Octopus" ("Trip to heave and ho, up down, to and fro'/you have no word/trip, trip to a dream dragon/hide your wings in a ghost tower/sails cackling at every plate we break cracked by scattered needles/the little minute gong/coughs and clears his throat/madam you see before you stand") e em "If It’s in You "e sua letra absurda (Did I wink of this, I am/yum, yummy, yum, don't, yummy, yum, yom, yom.../Yes, I'm thinking of this, in steam/skeleton kissed to the steel rail"). Outros destaques são "Golden Hair", poema de James Joyce transformado em algo perturbador por Barrett e "Dark Globe", cuja letra aparenta ser um recado irônico para os ex-parceiros de Pink Floyd e para os antigos fãs da banda ("Won't you miss me?/Wouldn't you miss me at all?").

Porém, as inovações trazidas pela originalidade de Barrett não surtiram efeito de público e de crítica, ao contrário, contribuíram ainda mais para que o músico fosse visto como um louco à margem da sociedade.
A partir dessa obra, Barrett foi se degenerando cada vez mais, tendo gravado apenas mais um álbum ("Barrett") e amargado o estrondoso sucesso que os antigos parceiros do Pink Floyd atingiram com o lançamento de "The Dark Side of the Moon". Nesse disco a banda faz referência explícita ao ex-companheiro em "Brain Damage": "And if the cloud bursts, thunder in your ear/You shout and no one seems to hear/And if the band you’re in starts playing/different tunes/I’ll see you on the dark side of the moon". A banda voltaria homenageá-lo nas canções "Wish You Were Here" e "Shine You On Crazy Diamond".
Syd Barrett se isolou da sociedade, pintando quadros e morando, até hoje, com a mãe, sofrendo de diabetes e de diminuição de sua visão, em um mundo que só a ele pertence. A influência de sua música, porém, ecoa até hoje, desde a gravação de "See Emily Play" por David Bowie, em 1973, até os discos solo de John Frusciante, guitarrista do Red Hot Chili Peppers. No Brasil, a obra de Barrett é a grande influência de bandas como Grenade, Júpiter Maçã e Júpiter Apple.

9.10.04

Jeff Buckley - Grace



1 Mojo Pin (5:42)
2 Grace (5:22)
3 Last Goodbye (4:35)
4 Lilac Wine (4:32)
5 So Real (4:43)
6 Hallelujah (6:53)
7 Lover, You Should've Come Over (6:43)
8 Corpus Christi Carol (for Roy) (2:56)
9 Eternal Life (4:52)
10 Dream Brother (5:26)



Gênio? Mito? Deus? Pula-se a parte dos elogios. Jeff Buckley não precisa disso. Sua música se impõe a qualquer tentativa de qualificação e adjetivação. A única coisa certa é que pertence ao seleto clube daqueles que passaram como um cometa pela vida e arrancaram para si um pedaço da história da música, assim como Cobain, Joplin, Morrison, Hendrix e tantos outros.

Jeff era filho de Tim Buckley, trovador solitário, exímio cantor e letrista, morto numa overdose acidental de heroína em 1975, quando o filho tinha apenas oito anos de idade. A convivência com o pai foi mínima, mas é inegável a influência que a música feita por ele teve nas canções do filho, fato este que sempre perturbou sua vida: "Toda essa coisa sobre meu pai, eu nunca conheci ele, sério! É tão difícil conviver com isso. Eu sou Jeff, não Tim. Você acha que o que eles dizem é verdade?", disse, certa vez, a um amigo.

Assim como seu pai, Jeff não tinha restrições de gênero, misturando rock, folk, jazz, blues e música oriental em suas canções recheadas de letras dramáticas e extremamente poéticas. Seu grande diferencial, porém, era a voz. Não que o pai cantasse mal, mas o filho possuía cordas vocais abençoadas, com um alcance de notas fora de qualquer normalidade, sustentando-as de maneira absurda (como, por exemplo, em "Mojo Pin").

Fruto da boemia de Greenwich Village, Nova York, Jeff Buckley conviveu em meio a poetas, músicos e artistas em geral, os quais ele costumava chamar de "os últimos escritores, artistas, expressionistas de verdade". Essa convivência trouxe toda a bagagem musical que despejava em suas canções, assumindo como influências artistas díspares como Ella Fitzgerald, Nina Simone, Van Morrison, Bob Dylan, Edith Piaf, Leonard Cohen, MC5, Lou Reed, Robert Plant, Freddie Mercury, Pixies, Sebadoh, David Bowie e o maestro paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan, a quem se referia como seu "Elvis" (nitidamente sua maior influência no estilo de cantar).

Prova dessas múltiplas referências é seu único álbum lançado em vida, "Grace", uma obra cujo gênero é impossível de ser definido. Jeff mistura bases pesadas ("Mojo Pin", "Grace" e "Eternal Life"), canções cortantes sobre amor e perda ("Last Goodbye" e "Lover, You Should`ve Come Over"), estruturas de música oriental ("So Real" e "Dream Brother") corais de igreja ("Corpus Christi Carol", cover de Benjamin Britten) e duas versões de chorar ("Lilac Wine", de Nina Simone e "Hallelujah", de Leonard Cohen"), tudo sob a regência de uma voz ora sublime ora cortante e arranjos muito bem elaborados.


Não bastassem todos os elogios à voz e às bases musicais, Buckley também merece reverência por sua letras, verdadeiros lamentos líricos que retratam sua condição de amante perdido num mundo com o qual ele nunca se conformou. "Mojo Pin" expõe o uso da heroína como supletivo de um amor perdido ("Don’t wanna weep for you, I don’t wanna know/I’m blind and tortured, the white horses flow/The memories fire, the rhythms fall slow/Black beauty I love you so"). Buckley era usuário assumido de drogas pesadas, tendo, inclusive, "dividido" seringas com Courtney Love e outros figurões do começo dos anos 90. "Last Goodbye" é das mais linda canções de despedida, tema recorrente em suas letras: "This is our last goodbye/I hate to feel the love between us die/But it's over/Just hear this and then i'll go/You gave me/more to live for/More than you'll ever know").

Em maio de 1997, no auge de seu sucesso, preparando o lançamento de seu segundo disco, Buckley e um amigo vão até a beira do rio Mississipi beber e desabafar (ele não estava suportando as pressões da gravadora para que lançasse um disco com a fórmula do primeiro). No ápice de sua loucura, Jeff entra de roupa no rio. Um barco passa próximo de seu corpo, gerando uma grande onda, que faz com que ele afunde e desapareça na água. Alguns dias depois o cantor é encontrado morto.

Coincidência ou não, seu fim trágico (outra semelhança com seu pai) fora descrito como um pesadelo pelo cantor na letra de "So Real": "I couldn’t awake from the nightmare/It sucked me in and pulled me under/pulled me under/ Oh! That was so real".

A união de absurdas qualidades musicais e líricas com a vida desregrada e sua morte prematura fizeram de Jeff Buckley um mito dos anos 90. Infelizmente um mito muito pouco conhecido e apreciado.

Se sou fã? Claro que sou! Você também deveria ser...

Artistas Relacionados: Bob Dylan, Tim Buckley, Van Morrison, Nick Drake, Nico, Ryan Adams, Pete Yorn

Site: www.jeffbuckley.com

2.10.04

The Killers - Hot Fuss

1 Jenny Was a Friend of Mine (4:04)
2 Mr. Brightside (3:42)
3 Smile Like You Mean It (3:54)
4 Somebody Told Me (3:17)
5 All These Things That I've Done (5:01)
6 Andy, You're a Star (3:14)
7 On Top (4:18)
8 Change Your Mind (3:10)
9 Believe Me Natalie (5:06)
10 Midnight Show (4:02)
11 Everything Will Be Alright (5:45)

Não parece New Order? Sim, parece. Não parece Duran Duran? Sim, parece. Não parece The Cure? Sim, às vezes parece. As roupas não parecem com as dos caras do Interpol? Sim, caralho, parecem! E é exatamente pelo fato de parecer com todas essas coisas é que o The Killers é foda. Aliás, o próprio nome da banda é uma referência explícita ao New Order, que no clipe da música "Crystal" apresenta uma banda fictícia formada por modelos cujo nome era... sim, The Killers.

A banda surgiu quando Brandon Flowers, vocal e tecladista, foi mandado embora de sua antiga banda, Blush Response, porque se recusou a mudar com o resto da banda para Los Angeles (ele é de Las Vegas). Assistindo a um show do Oasis, Brandon percebeu que queria uma banda mais guitarrera, mais barulhenta. Foi quando leu um anúncio no jornal, publicado com a intenção de angariar comparsas para uma banda, citando como referência de som o próprio Oasis. O anunciante era David Keuning, guitarrista, que, em suas próprias palavras, se impressionou com Brandon por ser a única pessoa que respondeu ao anúncio que não parecia ser um cara completamente bizarro. David tinha parte de uma letra escrita, Brandon completou com o refrão, e logo saiu "Mr. Brisghtside", com certeza a melhor música do disco.

Depois de caçarem um baixista (Mark Stoermer) e um baterista (Ronnie Vanucci) começaram a fazer pequenos shows por Las Vegas e logo chamaram a atenção de um pequeno selo britânico, o Lizard King, que assinou com os meninotes. Daí pra capa da NME foi um pulo. Tá na cara porque a banda estourou primeiro na Inglaterra: são totalmente influenciados pelo som britânico do final dos anos 70, começo dos 80. Desde Joy Division até Oasis, passando por Smiths, New Order, The Cure, Echo & The Bunnymen e toda essa corja de coisa foda. Aliás, por que a maioria das bandas boas americanas primeiro explode na Inglaterra pra depois fazer sucesso nos EUA (bando de paga-pau)?

Apesar dessa aparente facilidade para chegar ao sucesso, a banda quase se fudeu por várias vezes. Por causa de um terremoto, o baterista perdeu seu kit durante a gravação de "Believe Me, Natalie", o estúdio pegou fogo durante a gravação de "Change Your Mind" e (caralho, quanta merda) a banda quase morreu num quase acidente de avião, antes de um show (o avião chegou a ficar em queda livre por alguns segundos).

Mas, para nossa alegria, esses meninos com maquiagem na cara (viva a androgenia) não morreram e conseguiram lançar esse que é um dos discos mais fodões do ano até agora. Se você gosta de guitarrera, tecladinhos de churascaria marcantes, dance-rock, viadices, anos 80, androgenia e coisas afins, não morra sem ouvir The Killers.

Artistas Relacionados: Hot Hot Heat, Franz Ferdinand, Interpol, theSTART, The Rapture, KillRadio, The Shins, Duran Duran, etc, etc, etc...