10.10.08

Tropa de choque

Dois textos recentes deste blog que vos fala causou um rebuliço e alvoroço esquisitos aqui em nossos comentários, em comunidades do orkut e até em foruns de discussão de música. A reação partiu basicamente de fãs das bandas Kings of Leon, Bloc Party e Detonautas Rock Bar, que foram negativamente criticadas nos últimos posts. E o fundamento dos fundamentalistas é o mesmo: intolerância com quem não tolera os aspectos criticados em cada um desses artistas.

Entre os fãs neo-indies do KoL, na maioria pré-adolescentes, houve pouca perplexidade e muita defesa ardorosa da banda, mesmo diante de argumentos sólidos de que eles não passariam de "intérpretes" de músicas compostas por um produtor obscuro. O extrato, pasmem, foi: "e daí que eles não fazem as músicas? Continuam sendo grandes intérpretes ao vivo". Que tal Jonas Brothers e Mcfly, pessoal?

Já o pessoal de camiseta do Bloc Party não teve muito ânimo pra tentar contra-argumentar. A sucessão de notícias durante a semana fez com que até eles percebessem que o negócio foi vergonhoso mesmo e não apenas um ato-protesto como tentou fazer parecer o Thiago Ney, da Folha de São Paulo. Notícias de hoje dizem que a banda se arrependeu do que fez. Ou seja...

Caso a parte são os fãs da banda de Tico Santa Cruz. Ele mesmo, que prega a paz, a bondade, o bom senso, o "jogue lixo no lixo" e o moralismo da Zona Sul carioca, mas saiu em manchetes de jornais nessa semana por discutir com um bêbado na rua, cercado de seguranças. Já testemunhei atônito e sem querer dois shows deles abrindo para bandas que eu realmente queria ver ("fodam-se os pagodeiros", costumava dizer Tico no ápice de sua rebeldia). Andei lendo textos de seu blog e os comentários dos que gostam e cheguei à conclusão: eles se merecem. É uma bela relação simbiótica.
Fica a pergunta: como vocês conseguem?

7.10.08

VMB 2008

Há alguns anos eu costumava encarar o VMB como o evento do ano. Parava qualquer coisa naquela noite de quinta-feira para assistir à premiação. Era como o antigo Telecatch: você sabe que não é bem aquilo, mas... é tão divertido. Com o tempo fui perdendo o interesse e o saco para a festa (que parece ser algo feito mesmo para o nicho adolescente). Neste ano, acabei sendo pego com tempo livre e assisti na íntegra (ao vivo e no VT). E, para a minha surpresa, senti-me nos idos dos anos 90, curioso por cada prêmio e ansioso pelo show inusitado do próximo bloco. Foi bem interessante perceber que esse tipo de evento ainda mexe comigo, apesar de não ser mais aquele moleque que vibrava com o negócio e tal. Não sei se de fato melhorou ou eu simplesmente voltei a ser mais condescendente. Enfim...



Os destaques positivos foram o sempre-ótimo Marcelo Adnet e seu

Mano Kiabbo e a já comentada versão de "Evidências", unindo Chitãozinho & Xororó com o Fresno (coisa fina!). Mas o que mais gerou comentário, lógico, foi a parte negativa: a ridícula performance do Bloc Party e a mesmice nas premiações.


Kere Okereke e sua banda foram humilhados ao vivo e a cores depois da constrangedora dublagem de duas músicas. Na primeira, ainda tentaram enganar o povo (e eu inicialmente não percebi o truque – assim como vários que estavam na platéia balançando a cabecinha com ar de cult). Quando ouviram as vaias e se viram na cova dos leões, resolveram dar uma de descolados e "brincar" com o próprio ridículo. Nada mais MTV que isso: a auto-ironia é sempre um argumento peremptório para fugir das críticas. Se ainda faltava uma pazinha de terra no buraco dessa morimbunda banda...


No dia seguinte, a repercussão. Thiago Ney, da Folha de São Paulo, agindo como um fã adolescente do Nirvana, se prontificou a respaldar e elogiar o ridículo da banda: "foi uma enorme tiração de sarro com a MTV Brasil". E desceu saraivada na festa. Roots, hein? Inusitadamente, Marcos Borat Mion, em seu blog, mandou o sarrafo no cidadão e jogou o cocô no Wallita Juicer: a dublagem do Bloc Party foi uma sacanagem de última hora. Eles haviam passado som ao vivo à tarde e resolveram fazer o playback em cima da hora, contrariando o que havia sido combinado. Ou seja, não foi tiração de sarro. Foi desrespeito com o próprio público (?) deles por aqui e incompetência em fazer um negócio ao vivo que preste. Ponto para o Johnny Rotten e para a piadinha "quem sabe faz ao vivo" do Mion. Mas o que vale é promover a qualquer custo o festival Planeta Terra, não?


O outro lado do pagode foi levantado pelo Tico Santa Cruz, vocalista e "intelectual" do Detonautas Rock Bar. Ele, que não foi indicado a nada nesse ano, resolveu "denunciar" a farsa montada que é o VMB, um "acerto de contas entre as gravadoras e a emissora" nas palavras dele. Gênio, gênio! É esse o mesmo Detonautas que só existe até hoje por causa da... MTV? São coisas que a psicologia Chaves explica muito bem ("ah, eu nem queria mesmo"). No mesmo post em seu blog ele "lembra" aos leitores de que a banda está concorrendo ao Grammy de melhor disco de rock brasileiro. Sugerindo que essa premiação sim é confiável e mais importante. E recorda também de episódios constrangedores do passado, como ficar de fora da sala VIP mesmo sendo um dos principais concorrentes do ano. Mas ele deixa claro: NÃO é ressentimento.


Constrangimento parecido passou a nova vocalista (?) do Bonde do Role ao tentar zoar o prêmio do Polegar-indie Nx Zero. E os outros dois da banda focalizados fazendo a pose da auto-ironia. Mas não vamos chutar cachorro morto, vai. Apesar do Thiago Ney ter chamado os amigos de "gênios". A ex-vocalista Marina deve ter sentindo aquele doce gosto da vingança em casa.


O VMB é o evento de maior visibilidade e retorno financeiro para a MTV. Quanto maior a polêmica, mais certo o negócio deu. Nesse ano, sem querer querendo, o pagode saiu mais afinando do que eles pensavam. Ano que vem, trabalho dobrado. Será que vem o CSS numa volta "triunfal" ao Brasil ??? Tá bom... cheeeeega de cachorro morto!!

Pós-Post: Mallu, o fenômeno, não ganhou nada. Culpa da falta de gravadora, ou da falta de fãs?

4.10.08

Fofoquitas

CADA UM CUIDA DO SEU

A mulher-notícia Amy Winehouse está preocupada com seu nariz. Literalmente. Segundo a boateira mídia britânica, pessoas próximas à moça estão preocupadas com as conseqüências do abuso de drogas para a napa dela. Há gente que diz estar próximo de CAIR. Será que Amy se juntará a David Bowie no mito dos narizes de platina?


MAIS STROKES PARALELOS

Nikolai Fraiture, o esquisitão baixista dos Strokes, vai soltando a conta-gotas as músicas de seu novo projeto, Nickel Eye. As faixas disponíveis variam entre reggae, Strokes e... Bob Dylan. Na dylaníssima "Back From Exile" o sempre quietão Nikolai manda avisar aos "mothafuckers" (crítica?) que está de volta de seu exílio. Ao que parece a divisão dos Strokes vai gerar uma infinidade de projetos bacanas. Sorte a nossa.

VMB - MTV BRASIL

Entre ótimos shows, gafes, cenas cômicas e piadinhas insuportáveis, o fato que certamente mais se destacou no VMB 2008 foi a deprimente, lastimável, constrangedora e qualquer-coisa-mais performance de Kere Okelele e seu Bloc Party. Sob uma saraivada de vaias, a DUBLAGEM da banda assustou até o bobo Marcos Mion, que apresentava a maior atração anual da emissora. "Viva a noiteeee!"



VMB - MTV BRASIL 2

Em meio a rockeiros e alternativos descolados em geral, o destaque dos shows da noite foi a improvável e ótima união de Chitãozinho & Xororó e os emos do Fresno para cantar o clássico "Evidências". O amalgma, que já havia sido feito no programa da Coca-Cola, emocionou a platéia e fez todo mundo cantar junto o hino sertanejo.




"OH, GIRL..."

Katy Perry, a queridinha da mídia americana, manda mais uma dentro. A menina que beijou uma garota e gostou mandou ver uma bela cover-flor de um dos melhores singles do duo MGMT. A fantástica versão violãozinho para "Electric Feel" pode ser ouvida aqui embaixo.

3.10.08

Dicas marotas - M83, Okkervil River e Mercury Rev


M83 - SATURDAY = YOUTH - Belíssimo disco de abril de 2008 dessa banda francesa capitaneada pelo faz-tudo Anthony Gonzalez. Climas densos, sintetizadores a mil, melodias cuidadosamente assobiáveis e uma vocação incrível para instigar um sorriso no rosto em algumas faixas. Algo como se o My Bloody Valentine montasse uma banda com o MGMT. Destaque para a arrasa-pista "Graveyard Girl" e a arrasa-quarteirão "We Own The Sky" (dica de DG).

MYSPACE: www.myspace.com/m83

Graveyard Girl - M83

OKKERVIL RIVER - THE STAND INS - Novo álbum da banda texana liderada por Will Sheff, que antes de virar músico foi crítico do antológico Audiogalaxy. O grupo, neste disco, parece mais a vontade para criar canções com uma estrutura pop, mas com toques de experimentalismo e rock sulista. Ponto para eles, que conseguiram criar um álbum empolgante (dica de d. chiaretti).


MERCURY REV - SNOWFLAKE MIDNIGHT - Mais um lançamento, desta vez por um dos grandes ícones do rock alternativo da década de 90. Aqui o Mercury Rev leva ao extremo as experimentações do disco anterior, reduzindo as canções a frágeis estruturas permeadas por programações eletrônicas e teclados etéreos. As letras, por sua vez, seguem o mesmo estilo hippie dos discos anteriores, e o estilo das melodias continua intacto. Não é um disco tão interessante quanto os antecessores Desert's Songs, All is Dream e The Secret Migration, mas ainda vale a pena (dica de d. chiaretti).

1.10.08

Alternativo?

Numa grosseira aula de história do rock, poderia dizer que o indie atual tem suas origens próximas calcadas no post-punk, mais precisamente no college rock, que uniu a simplicidade do punk rock a uma temática mais "artística". Daí nasceram bandas como R.E.M., Sonic Youth, Pixies, Mission of Burma, Gang of Four etc.
Mas, depois de algum tempo, o Grunge veio, quebrou a tal barreira do mainstream e o alternativo, foi embora, apareceu a internet, o Pitchfork, os nerds venceram e se tornaram descolados. A partir daí, ninguém mais precisava se esforçar muito para ter acesso ao rock alternativo e, talvez por conseqüencia dessa "democratização", o indie transformou-se numa marca. Sobre o tema, há um ótimo texto do Simon Reynolds publicado no jornal inglês The Guardian.
Isso acabou gerando, ainda, uma aparente aceitação do rock alternativo como uma opção estética viável para uma boa vendagem de discos (claro que isso não vale para o Brasil). Um claro exemplo foi apontado pelo DG no post anterior, sobre a boy band rock'n'roll Kings of Leon.
Agora, por qual razão os fãs ficam tão possessos quando isso é apontado? Afinal, a música não continua sendo boa (eu discordo no caso do KoL), apesar de ter sido feita por um terceiro? Sim, pode ser, mas no rock, especialmente este supostamente alternativo, a honestidade tem um peso tremendo. As pessoas não consomem o estilo só pelas canções, mas por todo um pacote que vem sendo formatado desde as porralouquices de Jerry Lee e companhia.
Daí chegamos à pergunta: se querem algo honesto, por que ouvir Kings of Leon? Simples preguiça. Ouvir rock efetivamente alternativo ainda tem suas complicações. Não tanto quanto há alguns anos atrás, claro, mas ainda é mais simples conseguir gostar de Kings of Leon do que diversas ótimas bandas alternativas por aí, como Beirut e Okkervil River.
Portanto, querem gostar de Kings of Leon? Sem problemas. Só admitam que isso não fica muito distante de ouvir a boa e velha Britney Spears (de quem gosto muito).

29.9.08

A farsa dos irmãos Followill?

Kings of Leon é uma farsa. Pelo menos é o que dizem Álvaro Pereira Junior, em sua última coluna, e importantes sites internacionais. O boato, que sempre pareceu mais um dos mitos do showbizz, agora volta com força total devido ao lançamento do quarto disco dos supostos jecas do indie. A mente brilhante, ou quinto elemento, por trás da banda seria Angelo Petraglia (petralha?), que assina somente como Angelo a produção dos discos do KoL. Segundo tais jornalistas, os irmãos Followill seriam apenas um bando de fantoches cantando os hits compostos por Petraglia, que no passado já foi indicado ao Grammy de melhor compositor, com a música de sugestivo nome: "Belive me, baby (I Lied)".

Cético que sou, fui checar esses fortes boatos por aí e fiquei sinceramente assustado. Não só o cara "produziu" mesmo os discos, como descaradamente inclui em seu site pessoal uma pequena lista de suas composições. Com o título de "The Songs of Angelo" a página mostra os dois primeiros discos "produzidos" por ele e a lista de algumas canções nas quais ele deu sua contribuição, incluindo o cartão de visitas "Molly´s Chambers". Fuçando ainda em sites de tablaturas, outras músicas da banda são incluídas como composições do cidadão, somando-se à lista outro grande sucesso, "Red Mornig Light". Indo mais fundo, no grande site Discogs, também me decepcionei ao saber que "The Bucket" foi "produzida" por ele.

Em recente entrevista ao site da marca de guitarras Gibson, nosso amigo Angelo responde a algumas perguntas sobre o tema. E tenta, de um modo esquisito, disfarçar as suspeitas: “There was a misconception from the beginning,” explains Angelo, “where some people thought this band was put together, which is so untrue. I mean these guys have so much talent, whether it was in the beginning very raw―talent is talent. To me, it was just guys that I hit it off with and dug making music with, and the writing was really cool.”

Embora alguns críticos teimem em tapar os olhos, as bandas forjadas parecem ser algo recorrente até no nosso mundinho "alternativo". Pelo menos no caso dos KoL parece algo indubitável, infelizmente...

UPDATE: 18 de maio de 2009 - Reforçando o que já havia falado sobre a banda, o Álvaro Pereira Junior lança com mais veemência em sua coluna no Folhateen:

"Lixo, mas lixo mesmo, é uma boy band DISFARÇADA como os Kings of Leon, filhinhos de mamãe pagando de malandros, incapazes até outro dia de compor as próprias músicas. Lembra dos Backstreet Boys? As canções deles eram deles mesmos. Entre os BB e os KoL, fico com os primeiros. Fico com a honestidade.
(...)
EJECT - "Youth and Young Manhood", Kings of Leon
Primeiro álbum dos KoL. Espero que pelo menos tocar eles tenham tocado alguma coisa, porque quem compôs foi o produtor Angelo Petraglia."

UPDATE 2: O Nx Zero, sim nosso Polegar indie, fez uma versão para "Use Somebody" do último disco do KoL no "Edgar no Ar", do Multishow. A tropa de choque mirim da banda no Orkut está indignada (haha). Calma, gente. Vocês esperavam que quem fizesse a versão, o Korzus?

UPDATE 3: O single "Use Somebody" foi "produzido" por... haha

27.9.08

Fofoquitas

LANÇAMENTOS

Mais uma semana quente de novos singles. The Killers e Snow Patrol vazaram músicas novas nos sites oficiais. Já a fraca "Womanizer" de Britney Spears corre solta pelo You Tube. A música da loira foi reproduzida em duas rádios americanas que tinham autorização da gravadora para divulgá-la, mas acabou sendo gravada e, inevitavelmente, se espalhou por toda a rede. Corre dar uma olhada. Gostei bastante dessa "Human" do The Killers, que volta aos fantásticos tecladinhos do primeiro disco e deve recolocar a banda no seu devido lugar de destaque. De outro lado, a pesada "Take Back the City", do Snow Patrol, deve assustar um pouco os fãs de última hora da balada-sucesso "Open Your Eyes".

DESABAFO

Em entrevista ao Pânico nessa semana, Marcelo D2 soltou que enfrenta quase 20 processos na Justiça em razão dos samplers de música que costuma fazer em seus discos. Segundo ele, a maioria se refere a herdeiros querendo levar uma grana maior nos direitos autorais. Contou também que o neto de Eliseth Cardoso o processou por considerar que a voz de sua avó ficou parecida com a do Pato Donald (literalmente), na música "É Preciso Lutar". Apesar disso, ele solta um belíssimo single, "Desabafo", com direito a sampler de "Deixa eu Dizer", de Ivan Lins, na voz da cantora Cláudia.



REMIXES

Pra quem como eu é fanático por remixes de músicas dançantes, vale a pena dar uma ouvida no que os malucos do Soulwax fizeram com "Kids", do bombado MGMT. Ainda prefiro a original, mas ficou bacana demais. Ouça aqui!

CAMELUS BACTRIANUS

Depois de gravar o Acústico Sandy & Junior e cantar com o mito Mallú Magalhães, Marcelo Camelo fará participação especial no novo DVD de Ivete Sangalo. Junto com os Aviões do Forró. Paulo Ricardo que fique atento. Desse jeito vai perder o lugar nos shows do Padre Marcelo (o Rossi).


CAMELUS DROMEDARIUS

Entre as músicas preferidas de nosso novo Humberto Gessinger temos "Desculpe, mas eu vou chorar", de Leandro e Leonardo, "Antes de Dizer Adeus", do Sowetto, "Só pra Contrariar", do Fundo de Quintal e "Estranha Loucura", da musa Alcione. Como eu sei? Dá uma olhada na página pessoal dele no Sonora.

CAMELUS ...
"Quando [você] faz uma música muito distante do que você é, quando tem que evocar um espírito muito distante de você, enfim, se for um ritual de transformação muito radical, é pesado de se fazer como um ofício. Para mim, era muito pesado gritar, ter que me munir de um espírito, ter que me transformar a cada noite". Sobre os shows dos Los Hermanos, em mais uma de suas contagiantes entrevistas.

AGORA VAI!

Entre as várias bizarrices da lista do VMB (que a MTV apresenta no próximo dia 02/10) algo chamou mais minha atenção. Depois de concorrer (e perder) na categoria "Aposta MTV" em 2007, o Vanguart ganha nova chance de subir ao pódio, agora entre as "Revelações". Será que vai? Se não levar de novo, Hélio Flanders, vocalista da banda, poderá chorar suas pitangas com sua nova namoradinha, Mallu Magalhães, que também estará lá concorrendo, entre outros, na categoria "Melhor Show" (!?!?).

25.9.08

TV on the Radio - Dear Science

Como devem saber muito bem, boa parte da linguagem roqueira foi criada por músicos negros como Chucky Berry, Little Richard e Bo Diddley. Depois o estilo foi amplamente dominado por jovens músicos brancos, que se encarregaram, inclusive, de contribuir em estilos originariamente negros, como o blues. E o mesmo pode ser dito em relação ao soul, funk e, ainda com certos limites, ao hip-hop.
Assim, é muito interessante ouvir uma banda como o TV on the Radio, formada majoritariamente por negros nova-iorquinos, que vai contra o consenso e investe no rock. A influência de toda a música negra criada desde os acordes revolucionários de Johnny Be Goode está presente de forma marcante no disco: ritmos quebrados, alto alcance vocal, metais providenciados pelo saxofonista do grupo Antibalas Afrobeat Orchestra etc.
Mas, apesar de todos esses elementos, as canções ainda têm uma estrutura pop. É, portanto, um disco imperdível para quem quer ouvir algo diferente dentro da mesmice branca do indie rock.



19.9.08

Dicas marotas

Rodrigo Amarante chega quente! Poucos dias após o lançamento virtual do disco solo de Marcelo Camelo, a outra metade criativa dos Hermanos solta 3 aperitivos do que será o "Little Joy", seu projeto paralelo com Fab Moretti, batera dos Strokes, cujo disco completo sairá em 4 de novembro. E a fantástica voz de bêbado de esquina de Amarante casou perfeitamente com as composições mezzo reggae, mezzo Strokes com pitadas de Los Hermanos. Numa análise bem apressada, o que parecia improvável para muitos aconteceu: Amarante dá um belo salto à frente de seu antigo parceiro de banda. Enquanto Camelo tenta se enclausurar no mundinho dos gênios incompreendidos da MPB e se esmera em dar entrevistas insuportáveis, Amarante vai curtir um sol e fazer festa com sua turminha avant-garde na Califórnia. Ponto para ele!

LINK: www.myspace.com/littlejoymusic





Em meio às incertezas da turnê do Stone Temple Pilots pela América do Sul, Scott Weiland solta um surpreendente primeiro single de seu novo disco solo, "Happy Galoshes". A bela balada bowieana "Paralysis", lançada exclusivamente pelo site da Revista Spin, caberia muito bem nos recentes discos da banda-mãe de Weiland. Ao que parece, o segundo solo dele se afastará bastante do sombrio "12 Bar Blues", do longínquo 1998. Lançamento prometido para o final de novembro.

LINK: www.spin.com/articles/exclusive-stream-scott-weiland-paralysis

18.9.08

Fofoquitas

WHITE STRIPES

Jack White está tretado com a Coca-Cola. Não, ele não virou mais um compañero de Hugo Chavez. A história é que ele fez uma trilha para o novo filme do James Bond chamada "Another Way to Die". E a música, do nada, foi parar num comercial da Coca Zero na América. Ele soltou um comunicado bem puto: "We are disappointed that you first heard the song in a co-promotion for Coke Zero, rather than in its entirety". Interessante é que ele já participou da trilha de um comercial da...... Coca-Cola.


MGMT

Corre por aí que o segundo disco (duplo) da banda mais bacana a ter surgido esse ano vai ser produzido por ninguém menos que os Chemical Brothers. Em entrevista a NME eles revelaram que pretendem fazer um lado A pop e um lado B psicodélico. Ouvidos atentos. Coisa finíssima virá por aí.

JUSTICE

Continuando nos boatos sobre produtores de bandas modernosas, reza a lenda da carochinha que o aguardado próximo álbum do duo francês será produzido pelos inusitados Red Hot Chili Peppers (?!?!). Não sei não. Acho que eu preferiria o contrário. Imagina só, "Knock me Down" na versão Justice? Cruel, muito cruel.

SHOWS CANCELADOS

Não bastasse o cancelamento das apresentações do Nine Inch Nails no RS e em SP (dizem por falta de público), e a palhaçada com o show do Stone Temple Pilots em SP, agora também o mega festival Pop Rock Brasil que seria em MG não vai ser mais. Por uma briga judicial de duas rádios os mineiros vão ficar sem o festival que traria Offspring e Maroon 5. Se bem que o pessoal do queijo fresco saiu perdendo beeeeeeeeeem menos...

IMPÉRIO DO SOL

Você que gosta de MGMT, Justice e todas essas misturanças de barulhos bonitos, liga o sonzinho aí e ouve esse clipe aqui embaixo. É o primeiro single da dupla Empire of the Sun, cuja metade mais fantástica é formada por Nick Littlemore, do PNAU. A música foi lançada do nada, sem maiores avisos e tal. O disco é prometido para outubro. Na minha embasadíssima opinião, música mais bonita do segundo semestre (até agora).




16.9.08

Indienejo

As bandas indies sempre foram associadas ao mercado independente e ao modo alternativo de divulgar seus discos e promover seus shows. Isso mais na América e na Europa, onde realmente há grande espaço para esse nicho musical. Aqui no BR, como já farta e chatamente explorado, a coisa funciona mais na base do tripé brodagem+patrocínio público+burrice mercadológica, o que faz dessas bandas eternas promessas não-cumpridas. Porém, se você notar bem, quem faz as vezes do indie "roots" aqui nestas terras, queira ou não, é essa nova e gigante safra de duplas do chamado "sertanejo universitário".

É impressionantemente igual ao que ocorre lá fora com as futuras mega-bandas indies. No começo tocam em palcos menores em rodeios, normalmente de graça, distribuem CDR´s de suas demos ao público e às rádios locais e participam de qualquer tipo de evento que lhes dê alguma espécie de divulgação, inclusive os mais constrangedores. Tudo em esquema precário, sem dinheiro, sem gravadora, sem mega-empresário, sem MTV e sem qualquer tipo de brodagem. Não há super-portais de internet que invistam na promoção disso nem jornalistas pop prontos pra dar aquela "alavancadinha" na carreira dos sujeitos. Tanto que eles demoram bastante a vender discos. Tudo vai na base da pirataria e a grana entra por causa dos vários e vários shows que fazem em cidades menores.


Além do esforço absurdo dessas duplas, a divulgação em massa e em progressão geométrica é feita pelos fervorosos fãs, que passam os CD´s gravados de mão em mão, até o ponto em que viram mega-duplas sertanejas. Foi assim com César Menotti & Fabiano e Victor & Léo e está sendo com Jorge & Mateus e João Bosco & Vinícius. Fora a inesgotável fila de espera das outras duplas, que só aumenta a cada dia.


Goste ou não da música desse pessoal, não há como negar que esse é o verdadeiro mercado alternativo brasileiro. Enquanto isso, as bandinhas de rock ainda tentam fazer mais um amiguinho importante na imprensa... Mallu Magalhães o novo-folk? Sou mais esses caras, viu...

10.9.08

Fanáticos

Vejam esse vídeo.



A briga em questão, crítico contra artista, é bem velha. Afinal, é até compreensível que alguém se sinta ofendido ao ler uma série de, hmmm, "ofensas estéticas" em uma mídia de grande repercussão.
Sempre me espantou, todavia, o ódio de consumidores de arte pelos críticos. Eu, pessoalmente, nunca tive muita coisa contra essa classe. Para mim, o crítico é simplesmente alguém que sistematiza e contextualiza uma conversa de bar sobre uma música, um filme, um livro etc. Isso sem falar, claro, nas infinitas dicas dadas por sujeitos que, geralmente, têm maior acesso à cultura. No meu caso foi graças ao Álvaro Pereira Jr. que descobri Belle & Sebastian, uma de minhas bandas preferidas, numa época em que a internet era precária e ninguém do meu meio ouvia música alternativa.
Mas a verdade, ao menos em relação à música pop, é a seguinte: como já disse o também crítico Simon Reynolds em seu "Beijar o Céu" (Conrad), gostar do gênero demanda um certo fanatismo, certa crença de que aquela música específica, escrita por um bêbado qualquer, tem um significado pessoal.
Assim, fica óbvio que qualquer ofensa a um artista, que parta de algum velhote metido a sabichão, é tomada como uma ofensa pessoal.
É a regra desse ingênuo jogo.

6.9.08

Fofoquitas

KATY PERRY PROFANA!

A autora da música mais comentada do momento, pelo menos na América, ganha mais publicidade pro seu megahit "I Kissed a Girl". Um pastor americano mandou botar um cartaz com os seguintes dizeres "I KISSED A GIRL AND I LIKED IT... THEN A WENT TO HELL". A intenção era, segundo ele, fazer um lembrete gentil de que a Bíblia não curte a homossexualidade, além de um "presta-atenção" na molecada que pode ser influeciada pelo vídeo. Como polêmica pouca é bobagem...


THE STROKES NA ESTICA
Outra dos Strokes que nada tem a ver com banda. Albert Hammond Jr. lançará uma linha de ternos masculinos para o outono americano. Nas palavras do guitarrista, para a NY MAGAZINE, “A lot of people hate suits, because when they fit terribly, they feel strange inside, like they’re going to a bar mitzvah and they’re 30". Vai entender esse povo estranho...


STONE TEMPLE PILOTS ENROLATION

Notícias sobre o (im)provável show da banda do garoto-problema Scott Weiland no Brasil. A apresentação na Argentina foi adiada de 12 para 15 de outubro, após a venda dos ingressos ficar suspensa por alguns dias. Por aqui, o site da Ticketmaster eliminou o link para o show (marcado inicialmente para o dia 14) e ninguém sabe de nada, apesar de alguns já estarem com os passaportes da alegria nas mãos. Alguém acredita que eles tocam aqui na terça e na quarta já fazem o show em Bons Ares?? I object...


MAIS KYLIE MINOGUE

Você já gastou 3:30 minutos ouvindo o single novo da musa australiana, "In my arms"? Nas últimas semanas tem sido o número 1 das rádios pop que costumo ouvir. Ô refrãozinho que gruda na cabeça... Ouve ae:



4.9.08

Dicas marotas

Foi divulgada a lista do Tim Festival que, em matéria de rock, está fraquíssimo. Quem gosta de hip hop terá Kanye West, e os amantes de jazz ouvirão o colosso Sonny Rollins.
Já para os admiradores de rock alternativo a melhor opção será o ótimo The National, que faz um som soturno de clara inspiração pós-punk, mas com mais originalidade que Interpol, Editors e bandas afins.
Um belo exemplo é essa "Fake Empire", que abre o último disco, Boxers:






Faz algum sentido exigir que um grande artista continue revolucionário após certa idade? Acho que não. Não creio que se deva exigir inovação de Bob Dylan, Neil Young ou Woody Allen. Basta que continuem nos brindando, até o fim de suas vidas, com o que fazem de melhor e que, em algum momento da história, foi absolutamente novo.
E nesse grupo incluo Brian Wilson, que mudou a história da música pop quando liderou os Beach Boys e lança, este ano, o novo álbum Lucky Old Sun. E, pelas músicas que já estão liberadas na rede, teremos mais do mesmo: belas melodias, harmonias perfeitas e imagens de uma Califórnia sempre ensolarada.
Ótimo, não? Confiram aqui no My Space do artista.

1.9.08

Love Pop Suicide

Aproveitando o chove-não-molha da vinda do Stone Temple Pilots pro Brasil-il (particularmente acho que eles não vêm - clique aqui), falemos um pouco dessa que provavelmente é a banda mais injustiçada dos 90´s.

Quem nunca foi a um bar e pediu ao cantor que tocasse Pearl Jam e ele, empolgado, emendou "Plush" a plenos pulmões. Nada mais frustrante para os fanáticos por ambas as bandas. E esse é o ponto: o STP até hoje é inexplicavelmente aproximado ao Pearl Jam, um dos parâmetros mais improváveis da história do rock comparado. Tudo bem, talvez os graves de Eddie Vedder e Scott Weiland sejam parecidos nessa música em específico, mas a distância das bandas é bem nítida para os que já se aventuraram a escutar mais de uma música de cada uma.

Se o primeiro disco dos STP, "Core", tenta flertar com o grunge de Seattle em algumas músicas, a obra definitiva deles, "Purple", mostra que o negócio da banda é mesmo uma mistura de The Zombies com o Glam Rock setentista, nitidamente influenciados por David Bowie e T-Rex, coisas que não se encaixariam jamais no perfil da banda de Vedder. Desde a temática das letras, o estilo de vida, o comportamento no palco e até as roupas... NADA tem absolutamente a ver.

Conseqüência natural das analises superficiais, a comparação infantil acaba por menosprezar uma banda fantástica, formada por músicos incríveis e com discos recheados de hits pop. O segundo e o terceiro disco, respectivamente "Purple" e "Tiny Music", figurarão eternamente na lista dos meus melhores discos de todos os tempos. Fico sinceramente desapontado em ver que pouquíssimas pessoas um dia os pegaram para ouvir.

Mais triste que serem lembrados apenas por "Plush" é ver que os problemas pessoais com drogas de Weiland se destacaram mais nos últimos 10 anos do que qualquer coisa que a banda lançou. Enfim, uma daquelas clássicas bandas mal-degustadas.

http://www.myspace.com/stonetemplepilots


Pós-Post - Para os preguiçosos de plantão, faço as honrarias da casa e destaco um TOP 15 deles para defender tudo o que disse sobre a banda (tinha que ter dois primeiros lugares :) ):


1- Interstate Love Song (uma das músicas mais lindas de todos os tempos do mundo moderno)
1- Crackerman
2- Big Bang Baby
3- Trippin' In A Hole In A Paper Heart
4- Vasoline
5- Big Empty
6- Atlanta
7- Art School Girlfriend
8- Creep
9- Silvergun Superman
10- Adhesive
11- Still Remains
12- Meatplow
13- Seven Caged Tigers
14- Unglued
15- Lady Picture Show
Eddie Vedder e você, tudo a ver?